O ex-Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está a ser acusado de se ter apropriado indevidamente de joias e de as ter vendido nos EUA. Dito de outra maneira, Bolsonaro roubou e mandou vender o produto do roubo no estrangeiro.
As joias em questão, avaliadas em cerca de 3 milhões de euros, foram uma oferta da Arábia Saudita à Presidência do Brasil, mas Bolsonaro achou que eram dele e não do património do Estado.

As joias terão sido entregues a Jair Bolsonaro na embaixada da Arábia Saudita, em Brasília. Além de Bolsonaro, o inquérito judicial em curso implica outras 11 pessoas. O inquérito diz que Bolsonaro não só se apossou ilegalmente das joias como utilizou a estrutura do Estado para, junto com subordinados e advogados, organizar a venda nos Estados Unidos.
Segundo a investigação, o dinheiro proveniente da venda ilegal ajudou a custear a estadia de Bolsonaro nos EUA. O ex-Presidente fugiu para lá ainda no exercício do mandato, tentando evitar alguma ligação com os ataques golpistas do 8 de janeiro, que aconteceriam na semana seguinte.
Este é o segundo inquérito que incrimina Bolsonaro em atos ilegais. Há alguns meses foi indiciado no caso da falsificação do seu boletim de vacinas. Fingiu quer tinha tomado as doses das vacinas anti-covid e mandou falsificar o boletim. Isto, ao mesmo tempo que decretava a obrigatoriedade da vacinação e estipulava penalizações para quem prevaricasse.
Mas há outros inquéritos em curso:
- A polícia federal investiga ataques a opositores organizados por um “gabinete do ódio” instituido no seio da Presidência da República. Uma espécie de grupo de “operações especiais” que executava perseguições e espancamento de opositores políticos.
- Há ainda a investigação sobre a tentativa de golpe de estado e a abolição violenta do estado democrático, quando uma multidão apoiante de Bolsonaro invadiu edifícios públicos em Brasília, entre os quais a própria Presidência e destruiu e roubou património do Estado.
- A polícia também procura esclarecer suspeitas de obtenção de vantagens pessoais ilegitimas, como o uso de um cartão de crédito do Estado para despesas particulares.
No Brasil, observadores destes processos pensam que o ex-Presidente corre sérios riscos de passar uns bons anos atrás das grades, se os casos chegarem a julgamento.
As três hipóteses criminais apontadas pelos investigadores no caso das joias — peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa ou organização criminosa — foram fartamente comprovadas ao longo da investigação.
A polícia encontrou no telemóvel de Bolsonaro registos de que ele acessou o site do leilão em que as joias roubadas da Presidência da República estavam à venda. Foi um assessor de Bolsonaro quem enviou o link para seu chefe, que respondeu com a palavra ‘Selva!’ — uma saudação da gíria castrense brasileira.
‘Selva!’ é a palavra que incrimina Bolsonaro, como uma marca de batom no pescoço.



