A primeira vez que ouvi o teu nome foi numa manhã fria e chuvosa que me levou até junto de ti. Estávamos em Fevereiro, quando se trabalha a terra para as sementeiras, assim cuidei do teu corpo, como se fosse o meu bem mais precioso.
Plantei ervilhas-de-cheiro e gispsófilas no teu ventre porque delas era o tempo das sementeiras. Não sei se te disse mas povoam todos os casamentos, ao nosso vão concerteza faltar.
Sei que não te vou ter.
Não lancei à terra nem alecrim nem amores-perfeitos, deixei para os deuses a decisão.
Plantei morangos e framboesas, groselhas e amoras à procura do teu mel salgado, do teu sumo encantado nas laranjas e tangerinas que colhi e bebi até à última gota até que finalmente adormeci.
O teu nome lembra-me a salsa, o manjericão, a salva e a menta, cheiros que inebriam, perfumes silvestre que percorro com a minha língua no teu pescoço sem nunca parar.
Conheço cada milímetro da tua pele como nenhum homem, antes e depois de mim, a tua pele pede-me para não parar.
Não páres.
Não vou parar nunca e ainda era Fevereiro. Em Março já te agarravas aos meus cabelos e puxavas-me contra ti.
Diz-me, porque é que nunca mais me chamaste? Foi por ter chegado o calor e o sol, por não precisares de um porto de abrigo?
Preciso de estar contigo uma última vez, só mais uma, como se fosse a primeira de todas aquelas em que vi o Sol.
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico



