Poema em prosa

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1943

A primeira vez que ouvi o teu nome foi numa manhã fria e chuvosa que me levou até junto de ti. Estávamos em Fevereiro, quando se trabalha a terra para as sementeiras, assim cuidei do teu corpo, como se fosse o meu bem mais precioso.

Plantei ervilhas-de-cheiro e gispsófilas no teu ventre porque delas era o tempo das sementeiras. Não sei se te disse mas povoam todos os casamentos, ao nosso vão concerteza faltar.

Sei que não te vou ter.

Não lancei à terra nem alecrim nem amores-perfeitos, deixei para os deuses a decisão.

Plantei morangos e framboesas, groselhas e amoras à procura do teu mel salgado, do teu sumo encantado nas laranjas e tangerinas que colhi e bebi até à última gota até que finalmente adormeci.

O teu nome lembra-me a salsa, o manjericão, a salva e a menta, cheiros que inebriam, perfumes silvestre que percorro com a minha língua no teu pescoço sem nunca parar.

Conheço cada milímetro da tua pele como nenhum homem, antes e depois de mim, a tua pele pede-me para não parar.

Não páres.

Não vou parar nunca e ainda era Fevereiro. Em Março já te agarravas aos meus cabelos e puxavas-me contra ti.

Diz-me, porque é que nunca mais me chamaste? Foi por ter chegado o calor e o sol, por não precisares de um porto de abrigo?

Preciso de estar contigo uma última vez, só mais uma, como se fosse a primeira de todas aquelas em que vi o Sol.

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico

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