É Ou Não É?, um bom programa de televisão?

É Ou Não É? - O Grande debate", assim se intitula um dos muitos programas televisivos de conversa em estúdio. É a forma mais barata de se fazer televisão. Mas se o debate valer a pena, ganha-se mais do que se perde a ver um programa destes. É ou não é um bom programa de televisão?

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Um dos últimos debates foi dedicado à questão se vale a pena trabalhar em Portugal. Para muitos, uma questão meramente retórica. Dirão que não, e as estatísticas dizem que têm razão: 11% dos trabalhadores portugueses são pobres, ou seja, trabalham por salários de miséria.

No painel de especialistas, surgiu uma espécie de herói das causas sociais. Curiosamente, um empresário. Chama-se José Teixeira e foi apresentado como CEO do Grupo DST.

O que fez dele uma surpresa? Foram as palavras ditas. Os outros participantes do painel vieram com um discurso tecnicista, burocrático ou académico, por vezes chato e de difícil apreensão sem ter de rebobinar na box do servidor de internet, para ouvir segunda vez.

José Teixeira trouxe um discurso de experiência feito e, surpresa, de grande preocupação e enorme consideração por quem trabalha com ele.

“O que é isso de mão-de-obra não qualificada? Um soldador não é qualificado? Um padeiro não é um trabalhador qualificado?”, perguntou o empresário.

E contou a história do pai de Miguel Torga que, entrevistado a propósito da hipótese do filho ganhar o prémio Nobel, encontrado para surpresa dos jornalistas a cavar na sua horta, terá dito “eu também sou um bom cavador”, numa equivalência à excelência literária do seu filho.

Resumindo logo de início o seu discurso, José Teixeira disse que “não existem trabalhadores não qualificados. É preciso que esse estigma social associado às profissões desapareça. Não há ninguém que queira namorar com um miúdo que é trabalhador não qualificado. Isso não pode ser. Ele é qualificado para exercer determinada profissão. E esse estigma tem de acabar.”

Sobre a divisão social do trabalho, José Teixeira diz que “já não é só uma divisão sexista, é para todo o universo onde se enfatiza a pobreza, com profissões que são para pobres e profissões que não são para pobres”.

Dando exemplos porventura extraídos das empresas que dirige, José Teixeira diz que, na indústria, há trabalhos onde trabalhadores não licenciados ganham muito mais do que trabalhadores licenciados e que a escola devia estar mais focada nos cursos técnicos do que nos currículos meramente académicos.

Dirão que o homem é um romântico. Mas ainda bem que existem pessoas que perseguem este tipo de sonhos.

Quanto à questão inicial deste artigo, “É Ou Não É?” será um bom programa de televisão, a resposta é… tem dias. Este foi um dia bom.

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