Ah! Alentejanos duma figa!

Em compasso ternário, como convém para as palmas e para a dança e para seguir a tradição, lá foram desfiando aquelas modas em que o brejeiro se casa com o recado a preceito.

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Realizou-se na noite de sábado, 16, na Praça Cidade de Vitória, em pleno coração da vila de Cascais, o IX Encontro de Música Popular, organizado pelo grupo cascalense Cantares da Terra, com o apoio da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril e da Câmara Municipal.

Hora e meia bem passada, numa noite tépida, com muita gente a não resistir à cadência contagiante dos ritmos populares tradicionais.

Grupo Almasul

Cascais desde há muito que acolhe bem a gente do Alentejo; desta vez, porém, com redobrada alegria, pois o Grupo Almasul, de Beringel (Beja), e De Moda em Moda, de Vila Nova da Baronia (Alvito), nos brindaram com aquele jeito que, inspirado no cante, mas vestido de instrumentos de corda e de acordeões e concertinas, sabe dosear tradição com actualidade. A malandrice com que se olha para a «menina que estás à janela» a mostrar – ai! – o que lembra uns alcatruzes, não deixa esquecer que se semeia em Janeiro para mondar em Abril, mas vem um Maio molhado e nada há para colher no Verão!… Canta-se o Alqueva, mas…

grupo De Moda em Moda

Dois grupos de formação recente, mas com cantadores e tocadores que já têm longa história atrás de si. O público, que encheu a praça, aplaudiu.

Como se aplaudiu também o nosso Cantares da Terra, não apenas pela iniciativa do encontro – que, mais uma vez, organizou –, a proporcionar-nos uma viagem pelos cantares tradicionais do nosso País, de Norte a Sul, nos arranjos, sempre inovadores, da Marta Garrido.

grupo Cantares da Terra

O grupo, sob a batuta de João Chuva, continua activo, agora com 14 elementos; já completou as bodas de parta e esteve a representar Cascais no 10 de Junho em Clermont-Ferrand, para matar saudades à colónia portuguesa ali radicada.

E nós… nós saímos a cantarolar, no final, pela mornidão da noite. Tinha de ser!

1 comment

  1. O que é inspirador neste texto, é a alegria do acolhimento de uma comunidade aos cantares das “suas” gentes, sem fazer caso da pureza de género musical, mas antes enaltecendo a irmandade de todos eles em caloroso e fraterno convívio.
    É sempre meritório o esforço de quem organiza um Encontro desta Natureza, que envolve o poder local e convoca os munícipes à confraternização, conforme José d´Encarnação nos revela. Ainda não foi desta que consegui assistir, mas um dia terá (com muito gosto) de ser. Afinal fui acolhida neste concelho há quatro décadas…pertenço-lhe.
    Muito grata pelo relato de mais este acontecimento.

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