Fechado há 13 anos, degrada-se a olhos vistos. Ainda não ardeu, mas o risco de curto-circuito ou de ato criminoso não é de desdenhar.
Agora levantam-se vozes para ali se criar um museu. O Museu do Judiciário. Também já se falou que para ali seria transferido o Centro de Estudos Judiciários, uma espécie de escola para juízes e procuradores. Mas, escola ou museu, vai ser preciso gastar bastante dinheiro para a recuperação do edifício e a adaptação às novas funções. Mas que se faça, porque deixar degradar não é solução e quanto mais tempo passar mais se irá gastar no futuro se quiserem recuperar a infraestrutura. Porque, imaginamos nós, ninguém estará a pensar em demolir um edifício com tanta História.
O TRIBUNAL PLENÁRIO DA DITADURA
Uma História que deveria ser preservada. Foi ali mesmo que funcionou o famigerado Tribunal Plenário, durante a ditadura salazarista. Por ali passaram muitos antifascistas condenados ao degredo e a penas injustas. Entre muitos outros presos políticos ali condenados, contam-se os casos de Álvaro Cunhal ou Mário Soares (para mencionar só os mais famosos).
Depois da revolução de abril de 1974, todos os grandes processos foram ali dirimidos. Exemplos do caso Casa Pia, o caso Capitão Roby ou o caso Dona Branca.
O advogado João Miguel Barros tem um manifesto publicado e disponível para ser subscrito por quem quiser apoiar a ideia de fazer da Boa Hora um centro cultural e de indústrias criativas, que incluiria um museu judiciário. O manifesto já tem um extenso rol de assinaturas. Muitos dos signatários são antigos políticos ou dirigentes de organismos da Justiça que nunca conseguiram, alguns nem tentaram, encontrar uma solução para o aproveitamento do edifício.

Fotógrafo nas horas vagas, Barros publicou agora fotografias do Tribunal da Boa Hora, como forma de denunciar o estado de degradação do edifício. A Zine Photo é uma revista inacessível nas bancas em Portugal, mas que pode “folhear” online.
Algumas das fotografias de João Miguel Barros já andam pela net. Com a devida vénia ao autor, aqui reproduzimos algumas.





A propriedade do edifício está dividida entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da Justiça. A autarquia instalou ali a EB1 Jardim de Infância “Maria Barroso”. O site da escola mantém viva a memória histórica do edifício.
fontes Mensagem de Lisboa – O novo jornal digital da cidade (amensagem.pt); ZINE PHOTO #09 BOA HORA – Zine Photo; EB1 / JI Maria Barroso – AE Passos Manuel



