O protesto de Joaquim, vizinho de Marcelo

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1983

Dez da manhã, na Praça Afonso de Albuquerque, em Lisboa, a rigorosamente 100 metros de distância do Palácio de Belém. Cem metros medidos pela PSP que foi também quem delimitou o perímetro do protesto. Colocou o gradeamento e vigia pela segurança do manifestante.

Joaquim Ribeiro Oliveira iniciou o seu protesto há precisamente 72 dias… a primeira tarefa, depois de acordar, é atualizar essa informação, disponível para todos os que por aqui passam.

Há 72 dias, portanto, que este homem exerce o seu direito de reclamar, de protestar, contra aquilo que ele considera ser um esquema mafioso através do qual lhe tiraram tudo quanto tinha: casas, terreno, carros, animais, mobília, bens e recordações de uma vida inteira de trabalho, tanto em Portugal como na Venezuela, onde esteve emigrado durante uns anos.

A história é longa e demasiado detalhada. Joaquim Oliveira percorre um labirinto onde é difícil acompanhá-lo. Coação, intimidação, dívidas, burla, extorsão, morte… são as palavras que formam um enredo intrincado…

Não importa só se Joaquim Oliveira tem razões para protestar, ou se vive um delírio. Importa que ele grita a sua indignação e ninguém tem o direito de o calar. E é isso que acontece, na Praça Afonso de Albuquerque, a 100 metros da residência oficial do Presidente da República, a 100 metros de uma esquadra da polícia, no meio de um jardim público, num dos locais mais procurados por turistas nacionais e estrangeiros. 

O que aqui se passa é uma lição de democracia a que muitos deveriam dar atenção e aprender. É também uma lição de vida.

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É possível comparar o que se passa em Lisboa com o que se passa em Sintra, no Largo Virgílio Horta, em frente ao palacete que alberga a sede da autarquia.

Há uma raça de homens que se caracterizam pela obstinação. Não se deixam vencer, porque nunca desistem. Joaquim Oliveira e Manuel Ildefonso não se conhecem, nunca se viram, mas pertencem à mesma tribo.

Já Marcelo Rebelo de Sousa e Basílio Horta são de direitas diferentes. Marcelo é tolerante, exercita-se como democrata. Basílio Horta é da escola empedernida dos fascistas do Estado Novo. Por isso, Joaquim protesta em liberdade e Ildefonso protesta sob constantes sevícias a mando de quem manda na GNR e Polícia Municipal de Sintra.

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