Cadeia de Braga, na sanita só de chapéu-de-chuva

0
1000

Um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga vem denunciar as condições em que se encontram a cumprir pena.

Segundo os reclusos: “As celas são pequenas e com três homens. Não têm campainhas para casos de urgência. São muito frias e não têm janelas. As Alas só têm uma casa de banho, com dois chuveiros, para 28 reclusos. Quando sentados na sanita caiem gotas, do cano de esgoto, sobre os reclusos, o que obriga a que usem um “guarda-chuva”.”

Num comunicado, a APAR afirma que “vai dar conta desta situação às diversas entidades com responsabilidades no sistema prisional, solicitando uma intervenção urgente.”

Denúncias como esta são recorrentes. Nas cadeias portuguesas, as condições de vida primam pela insalubridade.

Sobrelotação, doenças, droga, violência

Em poucos minutos, numa pesquisa pela net, encontrámos um documento curioso sobre este tema. Na Universidade Católica, em 2014, na dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Serviço Social, Donzília Coelho escreveu que “as prisões portuguesas têm grande dificuldade em cuidarem dos aspetos relacionados com a ressocialização e a reabilitação dos reclusos, uma vez que as condições existentes não são as melhores em termos estruturais e, segundo os reclusos entrevistados, as atividades ocupacionais são escassas e pouco variadas…”

No mesmo documento podemos ler que “Problemas como a sobrelotação, doenças infetocontagiosas, toxicodependência e violência, refletem-se na saúde dos detidos. A questão do aparecimento de focos de sarna na cadeia de Braga, em março de 2014, está relacionada, como já referimos, com a sobrelotação e falta de higiene nos estabelecimentos prisionais. Sendo uma doença contagiosa, existe uma preocupação acrescida, não só com os reclusos, mas também com os guardas- prisionais e com a propagação da doença para o exterior.”

O que Donzília Coelho constatou há 8 anos, não se alterou com o tempo.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here