Sintra, o património subterrâneo

Sintra é mais do que aquilo que se vê, os palácios, a floresta, o castelo. Debaixo de chão há um património por explorar e por conhecer. Até hoje nenhum poder político, local ou nacional, manifestou interesse em destapar essa riqueza.

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Há um túnel misterioso que liga o Castelo dos Mouros a Rio de Mouro. O túnel está lá, já foi explorado por espeleólogos, mas nunca foi estudado por arqueólogos e não é acessível ao comum dos mortais.

Há uma lenda (que pode ter fundamento histórico) que diz que quando Dom Afonso Henriques conquistou Sintra não precisou de combater. Os soldados mouros que defendiam o castelo desapareceram misteriosamente, apesar do castelo estar cercado pelas tropas do primeiro rei português. A lenda diz que eles escaparam por esse túnel que desemboca em Colaride, no Cacém. Em 1972, o espeleólogo Augusto Morgado investigou e descobriu a dita passagem subterrânea do castelo, notícia que publicou no jornal Época, em 12 de Agosto de 1972.

O túnel tem cerca de 8 quilómetros de comprimento, se for uma linha reta. A dúvida é se foi uma obra de engenharia dos muçulmanos ou se foi uma obra da natureza. Toda a região de Sintra é uma mistura de rocha granítica e calcária, e a erosão provocada pelos rios subterrâneos e pela chuva criou inúmeros canais e grutas. É bem possível que o túnel tenha tido origem natural e que, depois, o engenho humano o tenha melhorado e adaptado para a função que desempenhava: uma porta de fuga em caso de perigo. Até porque existe um outro tunel que liga o castelo ao Convento dos Capuchos. Sobre este, dizem que foram os Templários que o construíram.

Seria bastante interessante se estes túneis pudessem ser visitados, pelo menos em parte do seus percursos. Teria de haver condições de segurança, evidentemente. E antes disso, teriam de ser vasculhados pelos arqueólogos. Um sítio frequentado por humanos há milénios tem de ter forçosamente vestígios preciosos dessas passagens.

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