Seis tiros, esperamos Justiça para Bruno Candé

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Terminou ontem o julgamento de Evaristo Martinho, o homem que há cerca de um ano matou a sangue frio e à queima roupa o ator Bruno Candé, em plena via pública, em Moscavide. Nas alegações finais o Ministério Público considerou provada a motivação por ódio racial e que arguido é um perigo para a sociedade, apesar da sua idade.

A pena máxima para o crime de homicídio qualificado, agravado, que o Ministério Pública imputa ao assassino é de 25 anos de cadeia. O tribunal decidirá qual a pena a aplicar, mas dificilmente andará longe desse máximo, porque Evaristo cometeu um crime sem justificação e de forma premeditada, o assassino não se cansou de dizer que ia matar um preto e, depois de ter consumado o crime, disse alto e bom som que estava preso por ter morto um preto.

Nas alegações finais, a procuradora do Ministério Público considerou que Evaristo Marinho, reformado de 76 anos, “deverá ser condenado a uma pena não inferior a 22 anos de prisão”, ressalvando que “ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém”.

“Tratou-se de premeditação”, “o senhor Evaristo já ia munido com uma arma de fogo”, “a arma já vinha com a munição na câmara”, foram frases proferidas pela procuradora no ato de acusação.

De acordo com o Ministério Público, os “factos são extremamente graves”, adiantando que o arguido tirou a vida de Bruno Candé “de uma forma fria”. Para a Procuradora, ficou demonstrado que crime aconteceu devido a motivos de caráter “fútil”, “de origem étnica”.

“A motivação é fútil e torpe. Não havia qualquer justificação para nenhuma discussão. O ódio racial resulta demonstrado pelas palavras que foram ditas a Bruno Candé”, disse, salientando que “foram corroborados pelas perícias”.

No início desta última sessão, o coletivo de juízas reforçou que não foi detetada “doença mental” ao arguido, depois de se terem realizado perícias psiquiátricas.

No tribunal, a irmã de Bruno, Olga, disse esperar “que isto acabe para que possamos continuar a viver”, porque enquanto a Justiça não for feita, tudo está em suspenso desde 25 de julho do ano passado, quando Bruno foi fuzilado por um racista.

A leitura do acórdão está marcada para o dia 28 de junho, às 11:00, Tribunal de Loures.

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