Covid-19 também é um perigo ambiental

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Quando a pandemia passar, alguns dos seus efeitos irão permanecer durante muito tempo. A par das sequelas que irão afetar a saúde de muitas pessoas contaminadas pelo covid-19, a recuperação dos danos ambientais será igualmente lenta e difícil de concretizar.

Um dos efeitos desta pandemia é o retrocesso na utilização de plásticos e outros materiais descartáveis. Na restauração voltaram a ser utilizados copos de plástico e palhinhas, nos supermercados não diminuíram o uso de embalagens plásticas e surgiram novas necessidades que intensificaram o uso desses materiais descartáveis como, por exemplo, as máscaras faciais de proteção individual, quase todas feitas com componentes derivados do plástico ou, pelo menos, com grande incorporação dessas matérias.

A acrescentar a tudo isto, algumas políticas aprovadas e plasmadas na Lei não têm tido uma execução minimamente desejável. É o caso da proibição de deitar pontas de cigarro para o chão. Os meios de vigilância que deveriam zelar pelo cumprimento dessa Lei estão, agora, demasiado ocupados com a imposição de regras destinadas a combater a disseminação do novo coronavírus.

Também os recursos financeiros que estariam destinados a alavancar programas de defesa ambiental poderão, agora, ser desviados para investimentos na economia dos países que está a ser tão afetada pelos constrangimentos provocados pela pandemia. Há fortes pressões dos setores mais fragilizados da industria e dos serviços para que os estados apoiem a recuperação imediata de milhares e milhares de empresas à beira da falência. Perante um panorama de muitos milhões de desempregados em todo o Mundo, não será de estranhar se a opção for deixar as questões ambientais para serem resolvidas depois de amanhã.

A defesa ambiental passa pela eletrificação da industria que desde sempre consome combustíveis fósseis. Mas essa adaptação custa biliões. A defesa ambiental passa pela eletrificação dos transportes terrestres e marítimos, mas essa adaptação também custa biliões. A defesa ambiental passa pela eletrificação da energia dos lares, mas essa adaptação custa biliões. Apenas três exemplos do que é preciso fazer e que pode ser protelado face às novas exigências que surgiram com a pandemia.

A emergência climática que afeta o planeta não desapareceu com o covid-19, mas tornou-se invisível aos olhos da opinião pública, mais preocupada com as questões de saúde pública e da economia. O pior é que não será possível garantir a saúde pública sem cuidar primeiro dos problemas climáticos e outros desequilíbrios ambientais. E sem saúde também não haverá quem consuma os produtos da indústria.

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