Tenho ouvido o argumento de que há falta de casas porque Portugal está cheio de imigrantes, ou que, por causa dos mesmos, as casas encareceram. Fico a pensar e volto atrás no tempo e fixo-me em Outubro de 2012. Exactamente, 2012, quando surgiram os vistos Gold.
Nessa altura, ninguém se queixou dos imigrantes. Eram ricos e tinham de gastar 500 mil euros para obterem a dita autorização de residência. Supostamente, deveriam ter investido ou em casas ou na criação de novos postos de trabalho. Claro que investiram em casas. Apartamentos que custavam 300 e 400 mil euros, rapidamente subiram para os 500 mil. Mais vistos Gold. Dez anos mais tarde, por quanto podiam ser vendidas estas casas? Claro que os imigrantes não ficariam a perder.
Porque os vistos Gold eram válidos por dez anos. Dez anos em que cidadãos de fora da União Europeia tinham visto de residência em Portugal e podiam circular livremente na Europa.
A maioria deles eram chineses, que adquiram vários apartamentos, muitos foram alugados sem recibo, para rentabilizar as casas onde não viviam os proprietários. Muitos nem pagavam os condomínios e as obrigações contratuais das habitações, incluindo o que respeita aos impostos relativos a imóveis arrendados.
Fomo-nos ficando com eles, as casas a aumentarem de preço, os alugueres a subirem e tudo o que diz respeito a esta situação.
Portanto, agora a ‘culpa’ é dos imigrantes. Até pode ser, mas não dos que vieram trabalhar em busca de uma vida melhor e sem os quais não haverá mão-de-obra para a construção civil. Talvez seja mesmo da indiscriminação com que foram dados vistos Gold, a quem não vinha fazer nada pelo País, mas sim gerir os seus próprios interesses e ganhar dinheiro à nossa custa.
Agora, as casas de 300 mil desapareceram: custam 600 mil. Com os vistos Gold foram transaccionados cerca de 11 mil imóveis.
Em Outubro de 2023 (Governo de António Costa) deixou de ser possível obter a dita Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARAI) somente pela compra de imóveis. Mas os vistos Gold continuam a ser uma forma de cidadãos exteriores à UE conseguirem residência em Portugal, agora, supostamente, com investimento qualificado. Nestes casos, cinco anos depois, podem ser cidadãos portugueses.
Por isso, nas manifestações, os que tenham sotaque ou falem um português arrevesado, todos podem ser residentes. Só que possivelmente aqueles manifestantes são ‘parentes pobres’ da imigração.
Ah! E há a palhaçada de um governante que afirmou ouvir que falavam todos brasileiro (esqueceu-se que é português do Brasil) e afinal era a passagem de uma manifestação de apoio a Lula da Silva…



