É sabido e consabido que este governo e os amigos do Chega pretendem entregar tudo aos privados. De uma forma mais ou menos subtil, vão criando estratégias para diminuir os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) entregando-os aos privados, nomeadamente aos seguros. Um trumpismo que querem importar dos EUA. Foi o que sucedeu em Lisboa com o plano Lisboa65+.
O Tribunal de Contas, analisando o plano criado por Moedas em 2022, afirma agora que aquele é ‘redundante e ineficiente’. Resta saber quem beneficiou, efectivamente, com este acordo.
Aquele organismo adianta mesmo que ‘não gerou um valor acrescentado relevante face às respostas já existentes, designadamente, no que respeita à articulação com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e à alegada complementaridade com o SNS’, mostrando ‘ser uma atuação redundante e ineficiente’, como refere o relatório divulgado pela agência Lusa. Portanto, também os mais velhos preferem, apesar de tudo e dos tempos de espera, recorrer ao SNS do que chamar aqueles que lucram com o nosso dinheiro.
O mesmo sucede na área da habitação, com o Estado a vender abaixo do preço de mercado imóveis que poderiam ser habitações para centenas de famílias.
Verifique-se que os oitos imóveis a vender ou já vendidos em Lisboa poderiam ser cerca de 450 casas. O Estado vende-os a valores abaixo do mercado e vai compra outros mais caros, no âmbito dos programas públicos de habitação.
Isto sucede em Lisboa, por exemplo, com a venda de vários imóveis, desocupados com a transferência dos ministérios para o Campus XXI, a antiga sede da Caixa Geral de Depósitos, e que está a ser feita abaixo dos valores de mercado. As hastas públicas geraram lucros de mais de 20 milhões de euros, mas as vendas foram efectuadas a preços significativamente abaixo do valor de mercado.
Enfim, desperdiçam o que nos tiram em impostos, lançam balelas para o ar e querem fazer-nos crer que o País está melhor. Só se for para eles.
Moedas, entretanto, atira atoardas, claramente sem conhecer a realidade. Na vontade de entregar funções da Polícia de Segurança Pública (PSP) à sua Polícia Municipal (PM) e de fazer crer que Lisboa é uma cidade insegura, claramente para agradar ao chefe do Chega, atacou a Justiça por causa da libertação de um suspeito de uma situação de violência em que foi baleada uma turista, aparentemente por uma bala perdida ou em ricochete, na Baixa de Lisboa.
Rapidamente, Moedas, que gosta de holofotes, foi para a televisão dizer que era ‘inaceitável’ que o indivíduo fosse libertado e sujeito a apresentações bissemanais.
A investigação está em curso, mas Moedas já condenou o homem, sem aplicar a presunção de inocência que a Lei lhe confere.
Segundo a PSP, o homem foi detido ao abrigo de um mandado de detenção fora de flagrante delito por violência doméstica. Terá estado envolvido nos desacatos em Lisboa, mas só a investigação dirá se efectou algum disparo e se a arma disparada é ou não da sua propriedade. O presidente da autarquia, apressou-se a condená-lo…
Cá por mim, condeno Moedas pelo lixo em Lisboa e pelo cheiro nauseabundo que se sente na capital. Condeno Moedas pelo tráfico de droga de algumas zonas onde deveria estar a PM a fiscalizar o que se passa. Condeno Moedas pelo abandono dos parques infantis e florestais. Condeno Moedas pelas ruas em que passar de carro é uma aventura, enquanto alguns (raros) ciclistas se passeiam em piso de luxo. Condeno Moedas pelos sem-abrigo na capital do País. Condeno Moedas por falar de mais e fazer (bem, já agora) de menos.



