25 DE ABRIL, SEMPRE

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Os que descem a Avenida da Liberdade neste 25 de abril de 2026 não são apenas os que se lembram do país de antes de 1974. São, sobretudo, os que recusam esquecê-lo. Há quem traga na memória os dias vividos sob ditadura; há quem tenha aprendido, nos livros e nos testemunhos, o que significaram a pobreza, a repressão, a guerra colonial e o analfabetismo. A memória é uma escolha contínua. A memória é um vício.

Os mais velhos, que podem falar na primeira pessoa, são cada vez menos. O tempo faz o seu trabalho. Cabe aos mais novos não apenas saber, mas compreender e agir à altura do que herdaram.

Cinquenta e dois anos depois da revolução, o país mudou, como sempre muda. As maiorias parlamentares também mudaram. Hoje, temos na Assembleia da República deputados de extrema-direita, notóriamente fascistas. A democracia está em perigo, temos de lutar por ela, de novo. Esse é um compromisso exigente, que todos os democratas devem assumir.

Descer a Avenida da Liberdade não pode ser apenas um ritual. Deve ser um gesto de todos os que entendem que a democracia não é garantida, e que Abril é uma tarefa em aberto.

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