À pergunta, como é possível que os cidadãos tenham elegido, por duas vezes, um energúmeno como Donald Trump? A resposta é, porque o sistema político-partidário dos EUA está sustentado no poder financeiro.
Também pela mesma razão, pouca diferença se nota entre um Presidente oriundo do Partido Democrata e o Partido Republicano. Na política externa, não se nota mesmo nada: todos os presidentes americanos têm feito as suas guerras, igualmente injustas, injustificadas e violentas. Na política interna há algumas nuances nos apoios sociais e nos incentivos ao investimento, mas a verdade é que os números da pobreza e dos sem-abrigo não cessam de aumentar.
Os sistemas partidário e eleitoral são complexos e o acesso a eles é bastante caro. Por exemplo, não há tempos de antena para disseminação de propaganda, cada partido paga os seus, por canal de televisão. Ou seja, difundir uma campanha eleitoral pelas televisões nos 50 Estados da União custa uma fortuna.
Cada Estado tem as suas próprias leis de registo de partidos políticos. Quem quiser fundar um partido de âmbito nacional tem de o registar em todos os 50 Estados da União. Em alguns Estados o registo é gratuito, mas noutros o custo pode ascender a mais de 5 mil dólares como, por exemplo, no Louisiana.
AS MAIS CARAS CAMPANHAS ELEITORAIS DO MUNDO
Quando há eleições, o registo de candidatos também tem de ser pago. Além disso, o registo só é válido se o candidato reunir um número mínimo de assinaturas de eleitores que constem nos cadernos eleitorais. Estados como a Flórida podem exigir cerca de 145 mil assinaturas de eleitores registados. Como é quase impossível fazer isso apenas com voluntários, os partidos contratam empresas profissionais. Estima-se que recolher assinaturas para um único Estado possa custar centenas de milhar de dólares.
Para um partido ser minimamente competitivo e aparecer em todos os Estados numa eleição presidencial, o custo de logística, equipas de advogados (consideradas fundamentais) e recolha de assinaturas pode ultrapassar os 2 milhões de dólares. E depois é preciso fazer campanha. É por isso que pequenos partidos políticos não conseguem entrar nas corridas presidenciais ou para o Congresso.
Ouvimos falar em orçamentos de campanhas eleitorais na ordem dos muitos milhões de dólares que dependem de financiamentos avultados de privados. Nas últimas eleições, um “sindicato” de multimilionários reuniu-se para pagar a eleição de Trump. Foram eles que pagaram toda a logística da máquina eleitoral, incluindo a propaganda nos media tradicionais e redes sociais.
As campanhas americanas são as mais caras do mundo. Os candidatos precisam de angariar milhões de dólares apenas para comprar anúncios na TV. Os partidos Democrata e Republicano têm máquinas de angariação de fundos gigantescas. Nas eleições de 2024, a campanha de Trump arrecadou mais de 400 milhões de dólares em donativos e nem sequer foi a campanha que mais dinheiro angariou.
O PODER DOS OLIGARCAS
Nas televisões, todo o espaço é vendido. As estações de televisão não têm obrigação de dar tempo igual a todos os candidatos fora dos blocos informativos. A única regra igualitária, digamos assim, é a que obriga os canais de televisão a dar o mesmo preço a todas as candidaturas na corrida eleitoral. Não é tempo de antena gratuito, é apenas o direito de comprar ao mesmo preço do adversário..
Mesmo os debates televisivos não são “tempos de antena”. São organizados por entidades privadas ou redes de media. Os candidatos não só pagam bilhete de entrada para o debate como, na hipótese de haver candidatos apoiados por partidos mais pequenos, esses candidatos têm de atingir um limiar mínimo nas sondagens (geralmente 15%), o que cria um círculo vicioso: sem TV não sobem nas sondagens, e sem sondagens não vão à TV.
Tudo isto faz com que o Presidente dos EUA seja uma espécie de “mandatário” dos multimilionários que lhe pagaram o direito de concorrer e a campanha eleitoral. Não há nenhum mecanismo para verificar eventuais conflitos de interesse (nem mesmo de ordem política) dos financiadores. Podem ser sionistas e financiar sem problemas um candidato à Presidência dos EUA. A longa lista de multimilionários que pagou a campanha de Trump pode ser consultada aqui, num artigo da revista Forbes. Então, já percebemos como é que um tipo tão estranho como Trump chegou duas vezes à Casa Branca. Pagam-lhe para lá estar. E ele cumpre com os objetivos traçados.




