O termo “embargo” é enganador. O que existe é um sistema de asfixia financeira, comercial e energética que ultrapassa fronteiras e intimida bancos, empresas e governos terceiros.
O efeito não é teórico. Quando transferências são bloqueadas e contratos cancelados, não é uma abstração ideológica que sofre: são hospitais sem combustível, doentes sem medicamentos, equipamentos médicos parados por falta de peças. Sanções prolongadas com impacto previsível sobre civis têm um nome: punição coletiva.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas condena anualmente o bloqueio por maioria esmagadora. A política mantém-se não por consenso internacional, mas pela força política.
Antes de 1959, no regime de Fulgêncio Batista, a ilha era economicamente dependente dos EUA e marcada por desigualdades profundas. A revolução liderada por Fidel Castro rompeu com esse modelo e afirmou soberania face aos Estados Unidos. O bloqueio nasce dessa ruptura.
Pode-se discordar de sistemas políticos. O que não se pode fazer é normalizar uma estratégia que, há sessenta anos, atinge uma população inteira sem alcançar o objetivo declarado. Quando uma política falha e o sofrimento permanece, não é instrumento diplomático, é um acto de guerra.
Neste momento, apenas o México está a tentar contrariar a prepotência dos EUA. O Governo mexicano enviou dois navios militares de apoio logístico carregados com cerca de 800 toneladas de bens de primeira necessidade, mas nenhum combustível. É alguma coisa, mas é insuficiente. Outros governos de países do Continente Americano, igualmente ameaçados pelos EUA (Canadá, Brasil, Nicarágua,Venezuela, entre outros), deveriam conjugar esforços com o México e organizar ações conjuntas, com meios militares, para apoiar Cuba, nesta luta demasiado desigual com o gigante americano.




