Luís Montenegro é o exemplo claro do ‘Princípio de Peter’: um fraco líder parlamentar, que deu um mau primeiro-ministro, o que o obriga a recorrer à arrogância bacoca, para disfarçar a sua inaptidão para o cargo.
Acresce que, além de não ter compreendido os danos que causou ao seu candidato à Presidência da República, ainda não percebeu, enredado na sua arrogância, o que lhe irá acontecer, qualquer que seja o resultado da segunda volta das eleições.
A eventual vitória de André Ventura seria o fim do primeiro-ministro e do PSD, num curto prazo, com eleições daqui a seis meses, no máximo um ano, com uma derrota total do PSD e com o Chega a formar governo, num processo de transumância dos militantes e quadros do PSD para o Chega.
A vitória de António José Seguro poderá impedir a disrupção do sistema político e a queda do PSD às mãos do Chega (mesmo com a radicalização de André Ventura) mas não impedirá a queda de Luís Montenegro, o único responsável pela degradação do governo, por ‘normalizar’ o Chega e permitir que algumas almas caridosas considerem que este partido se insere no quadro da democracia.
O ainda primeiro-ministro, por incompetência e arrogância, determinou o seu fim, que pode acontecer rapidamente, ou mais lentamente, de acordo com o resultado da segunda volta, mas será inevitável.
Os próximos meses serão de forte turbulência política, num quadro de tensão mundial, que afectará a economia global, em geral, e a nossa economia, em particular, sendo fundamental não embarcar em aventuras.
Pelo que fui lendo e ouvindo, a generalidade dos comentadores e alguns militantes do PSD já entenderam esta realidade. Luís Montenegro sairá, eventualmente corrido a pontapé, da liderança do partido e do governo, porque o PSD, para sobreviver ao ataque do Chega, precisa de o afastar, o mais rapidamente possível, a ele e ao grupo de incompetentes que o rodeiam. A questão que fica em suspenso é saber se ainda vão a tempo ou se o processo de transferência de quadros e de militantes para o Chega já se iniciou e é ou não reversível. A acontecer esta mudança, o PSD arrisca esvaziar-se e perder militantes e quadros para o Chega, para o PS e para o novo movimento político criado por Cotrim de Figueiredo.
O reajustamento das forças partidárias será uma realidade, com o fim da IL e do CDS, o desaparecimento eleitoral do BE, a redução quase total do PCP, o esvaziamento do PSD e com o reforço do Chega, do Movimento 2031 (de Cotrim Figueiredo), sem esquecer a possibilidade de uma versão PRD 2, liderada por Gouveia Melo.
Num quadro Mundial com as autocracias a ganharem peso, em que, em França, o próximo Presidente poderá vir da Frente Nacional, com Giorgia Meloni a manter o poder e a Espanha na iminência de ser governada com uma coligação PP/VOX. Os tempos não serão nada fáceis.



