Um dizia que o PS e PSD eram iguais em tudo e que a governação foi sempre deles, um em alternativa ao outro. Apeteceu-me ir à mesa e clarificar que o PSD e o PS não são bem, bem, iguais. O PSD está um nadinha mais para a direita. A ideologia é mais centro-direita liberal, ou até o neoliberalismo, porque o centro-esquerda reformador já estava ocupado pelo PS, aquando da fundação do PSD. Claro que não fui, iria ser declarado um extremista de esquerda, que se queria infiltrar. “Jamais” (leia-se em francês, é mais fino).
Era a conversa continuada por um dos cidadãos, em tom de “baixo” de coro de orquestra. O PS nunca se situou na direita, foi sempre de esquerda, claro, sem ser comunista…
Olhem para mim, a querer ir lá outra vez e dizer que o PS está situado, agora, no socialismo liberal… mas pensei: “Vou colocar os cidadãos a olharem para mim e a perguntarem-me o que eu tenho a ver com a conversa deles e, se eu armar em “formador,” o que penso disso do socialismo liberal e é o quê, mais claramente…” Não! Daqui é que não saio. Fica quietinho aí na mesa, quem quiser que esteja atento e estude, mas que não vá em “bitaites,” que só desinformam.
O tal cidadão que “acelerava,” disse a certa altura: “Nem é preciso que o governo, este e o dos socialistas, digam que fizeram ou aconteceram. O Chega só precisa de apontar o dedo ao que se passa, para qualquer lado (apontava com o braço esticado para o seu lado esquerdo…) a corrupção, gente do Estado a negociar com o Estado em conluio com os fornecedores na Saúde, por exemplo, (agora apontando em frente…) os euros no gabinete do assessor do Costa (agora apontando para o seu lado direito), a demissão de dois fiscais municipais de obras, que foram condenados pelo tribunal por prática de corrupção. E tantos e tantos casos.
Mais uma vez me deu uma tremideira… apeteceu-me ir lá dizer-lhe: “A varinha mágica do Chega, se algum dia entrar, vai acabar com tudo que está mal, de uma assentada”. Também queria dizer ao cidadão que o partido dele está baseado, se consegue perceber isso, num ultraliberalismo que é um processo que procura rendibilizar o capital, de qualquer forma, nem que isso leve à diminuição ou até à destruição do bem-estar social, do que foi conquistado e da permuta de riqueza que deve existir para manter a causa social. Se o povo trabalhador, nesse contexto de governação, começar a revindicar um bem-estar social, uma melhor remuneração… então, no ultraliberalismo, atende-se à “manifestação” rapidamente, dando uma compensação mínima para quem pede, para que a cadeia produtiva não pare e deixe de dar o lucro previsto. Esta observação é a realidade no terreno, por mais que se queira desmentir. Estudem-se as ideias, os processos e as actuações no terreno, que estão a “decorrer” noutros povos, EUA, Argentina, Itália, Hungria…
Comecei a beber o café já morno… A culpa foi minha, deixei-o arrefecer. Não teria sido melhor não pensar em nada do que me aflige social e politicamente? Os demais que se cuidem… certo? Não! Nunca o farei! Os concidadãos são demasiado importantes para mim. Quando o meu vizinho está atrapalhado, até socialmente… tenho que cuidar dele porque o problema, mais cedo ou mais tarde, vai alastrar até mim…
Trago uns apontamentos para ler, aqui, na mesa do café, com calma, sobre o Ventura e sobre o Seguro. Origens, percursos, suportes intelectuais, suportes sociais, suportes financeiros sob as candidaturas, ideais sociais, económicos de cada uma…
Depois da leitura, vou optar, com base nas ambições e necessidades do país, e votar com a consciência do dever cumprido.



