Em primeiro lugar verifica-se uma tentativa, evidente, de levar Gouveia e Melo à segunda volta, pois os grupos económicos que apostaram nele precisam da sua presença na Presidência. Num tempo em que a pressão internacional irá determinar uma profunda alteração da política internacional e da economia global, desconfiam deste governo e do caminho errático que poderá tomar. Em segundo lugar, fizeram subir António José Seguro convencendo-se que a esquerda não votaria nele, – o que se começa a revelar ser um erro de análise – com a intenção, clara, de desmobilizar os seus eleitores, dando como certa a passagem dele à segunda volta e para concentrar o voto do centro direita em Cotrim de Figueiredo, deixando Marques Mendes à sua sorte, com a convicção de que, com esta dispersão dos votos a segunda volta seria entre Gouveia e Melo e André Ventura, e que o primeiro sairia vencedor.
A coisa é por demais evidente, mas o que estes ‘aprendizes de feiticeiro’ não perceberam foi o impulso que acabaram por dar à campanha de António José Seguro que, sem apelar ao voto útil, vê o eleitorado de esquerda a ‘fugir’ dos seus candidatos e a concentrar o voto no ex-secretário geral do PS, fundamentalmente porque o eleitorado que vota no PCP, no BE e no Livre, não quer Marques Mendes ou Gouveia e Melo na Presidência.
A poucos dias do acto eleitoral nota-se uma profunda desorientação na candidatura de Marques Mendes, que colou o seu destino ao do governo, sem ter percebido que esta colagem seria fatal. O debate de ontem, na AR, sobre a saúde, pode ter sido o princípio do fim da candidatura de Marques Mendes. O crescimento de Gouveia e Melo poderá levá-lo à segunda volta, o que iria transformar a eleição presidencial num patamar de dramatismo político idêntico ao das eleições de 1986. O confronto Gouveia e Melo/ António José Seguro seria interessante e um factor de mobilização do eleitorado.




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