António Costa e Santos Silva deram início à urdidura da ‘teia de aranha’ em que tentaram enredar o PSD, fortalecendo o Chega, por forma a reduzir aquele que foi o partido alternativo do poder ao longo destes 50 anos e garantir uma continuidade do Partido Socialista na liderança do governo e das autarquias. Por força do golpe palaciano conduzido pela PGR, com a conivência de Belém, cujos contornos os arqueólogos talvez venham a descobrir, uma vez que dificilmente serão descobertos pelos historiadores, todo o trabalho de tecelagem foi interrompido. Assim, surgiu uma explosão de finos fios de influência, ao nível da comunicação social, que alteraram as traves-mestras daquela teia, dando origem a uma ruptura que conduziu o Chega a partido charneira do nosso sistema político, numa viragem à direita, que já se tinha começado a sentir a nível mundial.
Neste novo quadro político-partidário, em que o Partido Socialista, nas eleições legislativas, foi severamente punido – as autárquicas, dada a sua especificidade não contam para esta análise – o partido do governo decidiu reabrir a estratégia que antes criticara (e que, diga-se, para mim, foi um erro fatal do Partido Socialista), mas com uma vertente diferente, ‘cavalgar a agenda’ do Chega e tentar absorver o eleitorado deste partido. Desta forma, o PSD recriou a ‘teia de aranha’, para manter o PS refém do governo e sem capacidade de reacção, aproveitando o descontentamento e a reacção negativa ancorada na percepção do perigo da imigração e das facilidades supostamente dadas aos migrantes. A este propósito trago à colação a posição do governo italiano que concluiu pela necessidade de um acréscimo de mão-de-obra migrante para dar resposta às necessidades económicas do País.
O que o PSD não compreendeu é que a teia de aranha, em que está a tentar envolver o PS, acaba por enredar o partido do governo e permite ao CHEGA ser a viúva-negra, que capta na sua espiral pegajosa o PSD. Este será, no pós-presidenciais, o próximo passo de André Ventura, destruir o PSD/AD e vencer as eleições legislativas. Com o apoio de alguma comunicação social, o governo da AD irá implodir antes do termo do mandato, envolvido num qualquer escândalo ou, por inépcia, diante da sua natural incompetência, abrindo caminho a uma crise institucional que determinará a antecipação de eleições legislativas.
Com a esquerda e o centro-esquerda em convulsão, com o Partido Socialista sem um rumo certo e sem capacidade de se afirmar como alternativa para um governo coeso e forte, numa Europa em crise económica e social, o futuro será dos populistas.



