A ideia do ser do nosso povo parece-me simples:
Sabemos que somos um povo de ideias contraditórias, porque cada um tem sempre uma forma diferente de abordar um assunto, mesmo que o seu conhecimento seja somente superficial ou formado pelos “opinion makers” que sempre “plantam“ as suas formas de ver em nós, e nós, por falta de exercício mental, vamos atrás ou “abanamos” uma opinião que pretendemos nossa, para, mais tarde, acabar por mergulhar no que nos dizem… É que dá menos trabalho não pensarmos. Temos sempre a presunção que somos capazes, ainda, de desempenhar magníficos papéis no mundo, mas isso, bom, isso só seria possível se o país nos for, alguma vez, entregue integralmente.
Mantivemos uma ideia de missão, até há 50 anos. Deu no que deu. Tenho a ideia – e a prova – de sermos um povo que não foi “criado” para executar tarefas, mas, se bem dirigidos, fazemos tudo e com a precisão pedida. A nossa forma de ser está virada para fruir o que é abstracto e em querer, seguidamente, transformá-lo em algo concreto. Também não sabemos se perdemos tempo nisso ou ganhamos tempo para fruir os nossos sonhos.
O nosso ser passa por uma liberdade que, neste momento, está a ser podada, aos nossos olhos, aos poucos, tal qual um “bonsai”. De incompetência em incompetência governativa e empresarial, a “humilhação” que nos contempla enquanto povo já começou faz algum tempo: na pobreza que ainda persiste e nos desempregados, que, por isso, não conseguem honrar os seus compromissos. Somam-se as “desgraças”, para nós: da banca que nos mostra os lucros absurdos, passando pela corrupção, lavagem de valores… Esta perda de liberdade rápida, ao som do metrónomo do capital e da incompetência generalizada que assim nos embrulha, limita e alastra por e para todos, e vai acabar, com toda a certeza, por dar azo à penetração do populismo, por arrasto. Será que um cataclismo seria mais benéfico do que o que está a ser provocado pelos usurpadores da vida das nações, “conscientes ou não”, com as suas atitudes? Com Putin ou Trump, no percurso das nações?
Olhe-se bem para todas as dívidas das nações, faça-se a conta à nossa dívida e pensemos se, algum dia próximo, a pagamos… Os governos não conseguem sacudir, com força na razão e “trabalho de casa”, o demonstrativo de que assiste, em verdade incontestável, um reiterado ataque aos povos. Putin e Trump e os seguidores destas políticas querem ter o domínio de todo o mundo. Ainda temos a possibilidade de reverter isto! As tecnologias dão-nos tempo para pensar e mudar esta forma de nos explorarem. Assim os governantes sejam povo qualificado para isso!
Necessitamos de devolver aos cursos das Economias, Finanças, Gestão, as cadeiras humanistas: a Filosofia, a História, a Psicologia, a Sociologia. Se saíssem desta nossa ideia os governos, que terão que ser em exclusivo para o povo, seria, então e só, o necessário para uma vida digna e uma liberdade plena para um povo. Esses nossos governos, porém, por demonstrada incompetência, presumo que inconsciente, sem força de vontade na razão que assiste à necessidade de ser de um povo, infelizmente, acabam isolados dos “blocos capitalistas”, martirizados com taxas sobre os empréstimos e taxas sobre os produtos produzidos para exportação, porque um governante que é um simples especulador financeiro as impõe, considerando que o seu povo deverá viver à sombra do mundo que trabalha.
Entre nós, dada a incompatibilidade de interesses, nunca se pensou no país, mas sim nos vencimentos e em “alguma visibilidade” que é proporcionada ao deputado. É, pois, natural que as necessidades imediatas das “minorias” governativas colidam nas suas determinações com as oposições dos parlamentares de outras cores. O “capital” agradece esta posição de guerrilha nos parlamentos e vai mexendo nas “suas hostes”, de forma estratégica, para que se avolume, prolongue ou termine essa oposição, sempre que lhe interessa.
Apostámos e gastámos na Educação, dando novos horizontes a milhares de jovens que provam, em todas as frentes, que estão preparados. Infelizmente alguns ainda abandonam o país, porque o nosso país não lhes oferece nada para que tenham uma vida digna – sem ser ostensiva, é claro.
Qual é, então, o nosso futuro imediato? Precisamos de o moldar. Até sabemos o que deveria acontecer, porquanto já se nos é presente. Com provas bem na nossa frente, nenhum governo conseguiu entender o nosso passado, e com as “mestrias” que nos mostram diariamente (fora e dentro do processo de governar), não vão nunca conseguir dar-nos um futuro que interesse a todos. E até somos cada vez menos… não era difícil governar-nos.
Parece que o futuro está cada vez mais longínquo do nosso presente, mas esse só pode começar a ser traçado, quando um governo deliberar processos que projectem claramente o presente. Tem que se governar olhando sempre para cima. Nenhum governo pode traçar o futuro de um povo sem ser negativo se delibera constantemente com a “cabeça subserviente!”
Também não é possível manter sempre, mas sempre, para comprometer o futuro, uma bateria de franco-atiradores surgidos das oposições, de qualquer partido, que fazem sempre, de um simples desvio de procedimentos, uma tempestade que logo é consideradade “lesa pátria”.
O povo, por comodismo, mantém-se na defesa das cores do clube.. Temos um subsolo que nos pode dar mais bem-estar; mas lá vem a ideia da serenidade das árvores, dos mares, das montanhas, onde se querem ter “animais” a pastar silenciosamente, dando lugar a prósperas microempresas que beneficiam quatro indivíduos cada… O resto do país não conta, em lado nenhum… Até somos capazes de dizer que, se explorarmos gás em offshore, porque o temos, virão marés de petróleo que entrarão pelos hotéis dentro e fica tudo “negro”. Não é só o lítio e as terras raras… As pedras não podem sair do seu local de sempre… Nunca quisemos assumir um governo verdadeiro, mas também não permitimos que nos governem. Vamos, então, ter futuro? Projectamos, algum dia, o presente? Para quando fixarmo-nos no arco-íris e deixarmo-nos de ser monocromáticos?



