Dois mísseis israelitas deram cabo do Hospital Al-Ahli, a maior unidade hospitalar que ainda estava capaz de receber vítimas dos bombardeamentos diários. Informações provenientes de Gaza dizem que a urgência do hospital ficou inoperacional.
No mesmo dia, dois mísseis russos caíram em Sumy, cidade ucraniana. Morreu muita gente. As autoridades dão conta de 34 mortos e mais de uma centena de feridos. Era domingo, as famílias passeavam.


Em Gaza, já ninguém conta os mortos. Os números são avassaladores, raiam o absurdo. Israel diz que atacou o hospital porque as instalações serviam de abrigo ao Hamas. É a desculpa do costume.
Em Sumy, os russos dizem que o alvo dos mísseis foi uma reunião de comandos militares ucranianos e de outras nacionalidades que utilizaram um estabelecimento civil no meio de uma área residencial para tratarem das coisas da guerra.
Em Gaza, os palestinianos gritam de dor e de desespero. Estão sozinhos face a um exército genocida que mata e destrói tudo e todos. A guerra de Israel em Gaza perdeu qualquer legitimidade face a um inimigo que não existe em termos militares.


Em Sumy, os ucranianos exigem aos aliados reações guerreiras de combate efetivo contra a Rússia. Os líderes ocidentais ficam-se, por enquanto, pelas condenações palavrosas e aproveitam a oportunidade para disseminar um pouco mais a perceção de perigo.
Em nossas casas, as televisões exibem o horror que se viveu em Sumy, dão voz ao Presidente da Ucrânia a exigir vingança. De Gaza não dizem nada.





