Uma caricatura é um desenho que pode realçar de modo exagerado alguma característica física da pessoa, mas sempre com humor. A caricatura também pode ser uma representação do pensamento ou dos atos dessa pessoa. A caricatura é um exercício mordaz, de humor sarcástico.
O desenho em questão é na verdade uma coisa abjeta, por mais razões de queixa que aquelas pessoas possam ter do primeiro-ministro. António Costa sentiu-se injuriado e alvo de um ato racista. Tem razão quanto à injúria e ao resto. Chamar “porco” a alguém é um insulto evidente, uma ordinarice. O cartaz tem uma notória inspiração nos clichés racistas usados desde sempre para caricaturar africanos, embora o primeiro-ministro não tenha nada de africano (é de ascendência asiática). Um equívoco (esclarecedor) do cartonista motivado pela cor da pele de António Costa. Nem nisso foi original, infelizmente.

Esta cena teve o mérito de confirmar a pulsão racista cada vez mais evidente na sociedade portuguesa. Aliás, o primeiro-ministro sabe que é frequente ser apelidado de “monhé”, até mesmo por adversários políticos.
O Sindicato de Todos os Profissionais de Educação – STOP foi interpelado no sentido de justificar a intenção do cartaz, mas não deu resposta. O que é sintomático. Pessoas decentes não conseguirão justificar aquilo.
António Costa é um democrata e não deverá reagir ao insulto. Na verdade, neste caso, a caricatura é mais prejudicial ao autor (será um professor de desenho?) e a quem a encomendou (o sindicato STOP) do que ao caricaturado. Mas há antecedentes, em Portugal, de políticos que não gostaram de se ver em caricaturas. Recordamos o caso do Presidente da República, Ramalho Eanes, que acionou os tribunais e conseguiu a apreensão de dois livros de Augusto Cid. “O Superman” e “Eanito, el Estático” talvez tenham sido os primeiros livros proibidos em Portugal depois do 25 de abril de 1974.




