FALTAM MEDICAMENTOS NAS FARMÁCIAS

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À porta de uma farmácia nos arredores de Lisboa, uma fila de pessoas que esperam pela abertura da loja, depois da hora do almoço. São quase todos mais velhos, clientes fiéis de um negócio com “zonas cinzentas”.

A falta de medicamentos tem vindo a agravar-se, muitas pessoas começaram a ter problemas em conseguir adquirir os medicamentos prescritos pelos médicos, mesmo sendo tratamento de doenças crónicas.

Por exemplo, nesta fila que acompanhámos, um dos doentes não conseguiu adquirir Inderal 40. “Já é a segunda farmácia onde vou hoje e não consigo comprar. Tomo dois comprimidos de Inderal por dia. Não passo bem sem isso.”

A farmacêutica não tem explicação para as falhas na logística, diz ao cliente que o fornecedor recebe os pedidos, mas não os satisfaz plenamente. “Há sempre medicamentos que não vêm”, diz ela. Tomou nota do pedido, garantiu que telefonará assim que o medicamento chegar, mas não sabe quando isso irá acontecer.

Em janeiro deste ano, as notícias já davam conta de problemas em fornecer o mercado nacional com alguns medicamentos. Na altura, os principais problemas eram com o antibiótico amoxicilina, o anti-inflamatório ibuprofeno e paracetamol.

O bastonário da ordem dos Farmacêuticos dizia então, nos jornais, que “a situação tem vindo a agravar-se e, muito provavelmente, vai agravar ainda mais, porque todas as causas que estão na sua base se vão manter”.

E não é que acertou em cheio? Dois meses depois, as notícias acrescentavam novos problemas, quer com a importação de medicamentos quer com a produção nacional de medicamentos. É o caso do Ozempic, Trulicity, Inderal e Rivotril, quatro dos vários medicamentos que se encontram em falta nas farmácias. E é essa a situação que hoje vivemos.

OS INDUSTRIAIS DO MEDICAMENTO QUEREM LUCRAR MAIS

Dizem que a culpa é da guerra (mas não explicam bem porquê), dizem que a culpa é do Governo (porque nunca delineou uma estratégia para suprir falta de medicamentos em épocas de crise) e dizem que a culpa é da indústria que deslocalizou a produção para a China, onde a mão de obra é baratucha, mas onde muitas fábricas tiveram de interromper a laboração devido à política “covid zero” implementada pelo Governo da China.

Em Portugal, um dos motivos mais invocados para a falta de medicamentos é o limite de preço na venda ao público. O Estado comparticipa no custo do medicamento, mas implementou um sistema de controlo de preços que não permite que os laboratórios vendam ao preço que querem. A inflação estará a aumentar os custos da produção e da distribuição e pode haver medicamentos em que o preço não compense… o que é o mesmo que dizer que, a ser assim, todos os “problemas” desapareceriam se o preço fosse livre.

A culpa tem demasiados pais, é uma espécie de filha de uma meretriz. Mas o problema talvez pudesse ser minimizado se os farmacêuticos tivessem a liberdade de aconselhar o doente a optar por um medicamento compatível ou semelhante ao que o médico prescreveu. Falta um, toma-se outro. Seria uma solução para muitos casos, embora admitamos que não seja uma solução 100% satisfatória.

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