O BORRIFO DE VENENO

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Há um sentimento de urgência que regressa, nos grupos políticos e cívicos de defessa ambiental. Depois de anos de luta contra o uso do herbicida glifosato, com avanços e recuos, a Comissão Europeia prepara-se agora para tomar uma decisão final.

O prazo para a tomada da decisão termina em 15 de dezembro de 2023 e, já neste momento, há uma campanha de influenciadores a soldo da Bayer-Monsanto que tenta ganhar apoios (ou comprá-los…) para que essa decisão seja favorável à reintrodução plena do veneno.

Os grupos ambientalistas garantem que a Bayer-Monsanto já lançou o seu exército de lobistas nas capitais europeias, promovendo “reuniões de bastidores com funcionários e persuadindo-os a confiar na sua falsa ciência e a dar-lhes mais anos de lucros descontrolados”, segundo podemos ler nas newsletters divulgadas.

Até hoje, apenas dois estados-membros aboliram o uso de glifosato nos jardins públicos e na agricultura: Áustria e Luxemburgo. Todos os outros tomaram decisões mitigadas e temporárias, sempre sob pressão dos lóbis da agricultura intensiva, da agroindústria, da indústria química.

É uma luta sem quartel, dizem os ambientalistas, porque “a Bayer-Monsanto tem muito a perder e recursos sem fundo – se baixarmos a guarda por um momento, eles garantirão que o glifosato esteja disponível gratuitamente nos próximos anos.”

Sem dúvida que se tratará de um presente envenenado. Os críticos acreditam que o glifosato provoca cancros, envenena a água, mata insetos e animais aquáticos. Os amantes do herbicida, tentam provar que não é cancerígeno e que sem ele a humanidade vai morrer de fome. A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) confirma todas as potencialidades do veneno, exceto a garantia de que causa cancros. Num relatório publicado em maio de 2022, admite apenas que pode causar lesões oculares graves e que é tóxico para os organismos aquáticos.

Talvez esteja na hora dos movimentos cívicos e partidos políticos interessados na defesa do ambiente renovarem esta luta. Combater a direita que aparece com coelhinhos ao colo que passam a vida numa jaula sem nunca cheirarem uma erva ou a afagar cães condenados à prisão perpétua por uma corrente ao pescoço.

Só a força da opinião pública poderá vencer os milhões que a indústria tem disponíveis para comprar as consciências dos que acreditam que o mundo só existe enquanto eles viverem.

1 COMENTÁRIO

  1. O único dano que a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) não consegue confirmar, talvez uma visita a qualquer IPO possa sugerir…
    De todos os lados do país, até de zonas aparentemente despoluídas, chegam a toda a hora carros de bombeiros, ambulâncias e veículos privados com pessoas afectadas por cancros vários…
    Ingenuidade…Incoerência? Não. Em zonas rurais, o glifosato e outros agrotóxicos são aplicados intensivamente e sem os devidos cuidados. A exposição de pessoas e produtos de consumo (hortícolas ou frutos) a esses pesticidas, é um sério perigo. E a ser verdade (encoberta) que causa lesões graves e até cancro, converte-se num custo exorbitante, no domínio da Saúde.

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