A baleia que morreu em lenta agonia na praia da Fonte da Telha acabou num aterro sanitário misturada com lixo urbano.
Durante um dia inteiro, desde manhã cedo até ao final da tarde de ontem, nenhuma tentativa foi feita para ajudar a baleia a desencalhar do areal.
Foi evidente a falta de capacidade operacional, tanto da Polícia Marítima como do ICNF. Não mexeram um dedo e ainda tentaram evitar que os populares o fizessem.
Ainda assim, as pessoas que estavam no areal acabaram por entrar na água para ajudar a baleia. Tentaram. Fizeram um esforço.
Perante tanta imobilidade de quem deveria ter capacidade operacional, espirito de iniciativa e competência, um grupo de biólogos e naturalistas decidiram publicar uma carta aberta ao Ministro do Ambiente e da Ação Climática e ao Presidente do ICNF, na qual se pede que em circunstancias semelhantes a atuação não se repita.
Em concreto, os subscritores da carta começam por dizer que “situações similares são frequentes”, pelo que deveria existir um protocolo definido para ações de salvamento de cetáceos de grandes dimensões.
Depois de reconhecer que dificilmente o cachalote sairia vivo daquela situação, estes especialistas nas coisas do mar e da vida animal afirmam na carta que, em todo o caso, o animal deveria ter sido rebocado para o mar. Primeiro, porque morrendo acabaria por se afundar e serviria de alimento a outros animais marinhos. Dentro do princípio que nada se perde e tudo se transforma, teria sido preferível fazer com que o cachalote, depois de morto, enriquecesse a “cadeia alimentar oceânica e restante ecossistema, ao invés de se converter em lixo biológico num aterro, com os devidos riscos sanitários para a saúde pública e desperdício ecológico”.
Há quem diga que o azar da baleia foi ter encalhado numa praia portuguesa.




