Deitaram sal neste chão onde nada cresce.
Nos últimos 100 anos, aqui, todas as ideias fracassaram.
Um edifício estranho, com uma história estranha.
Foi aqui que em 1919, Francisco de Almeida Grandella, rico comerciante e homem de negócios, pensou em erguer um sanatório. A tuberculose grassava e era a doença que mais matava, naquela época.

Mas, ainda as paredes cresciam e já a ciência descobria a cura para a tuberculose. A vacina BCG vencia a bactéria assassina e a doença deixou de ser mortal. Por isso ou por outra razão, a obra nunca foi concluída.
Os anos passaram, Grandella morreu, a obra inacabada entrou em ruína, assim ficou até hoje. O atual proprietário do terreno e destas pedras tentou fazer aprovar um projeto para construir um hotel, aproveitando o traçado original do projeto. Foi chumbado pela câmara municipal de Loures. Nada cresce aqui.
Toda a estrutura tem um desenho estranho, cheio de simbolismo maçónico. O edifício central tem a forma de estrela de sete pontas. E há duas alas desenhadas como torres, simbolizando os pilares das lojas maçónicas. Do chão não é possível ter essa perceção, mas visto do ar é assim… aqui a estrela e os dois pilares, um de cada lado. O próprio material usado tem simbolismo maçónica, a pedra bruta que o maçon trabalha, aperfeiçoando-a e aperfeiçoando-se.

À exceção da entrada, todas as outras portas são estranhamente estreitas… todas as janelas são altas e estreitas, corredores apertados… salas de pequenas dimensões. Uma arquitetura realmente estranha…
E descobrimos um pormenor interessante e do qual ainda não tínhamos lido nada… Todo o edifício está assente em túneis e salas subterrâneas… os túneis parecem ter sido soterrados, de modo a não permitir que se circulasse neles…

Estes túneis fizeram lembrar a lenda que rodeia este local… diz-se que Grandella terá enterrado por aqui um cofre com o dinheiro recolhido para a construção do sanatório. Porque, apesar de rico, Grandella não quis fazer isto sozinho e pediu contributos à maçonaria… quando o projeto fracassou, o dinheiro que não foi gasto terá ficado enterrado aqui… talvez por isso os túneis foram soterrados.
Coisas do passado. Hoje, tudo isto está à venda. Já há uns anos que o atual proprietário tenta encontrar quem queira comprar isto… e não consegue.


