Em dezembro de 1975, Timor-Leste não tinha meios militares para resistir à Indonésia. As FALINTIL eram uma pequena força de guerrilha perante um exército equipado com navios de guerra, tanques, aviões e artilharia. Numa guerra convencional, os timorenses seriam esmagados. A alternativa foi outra: sobreviver, manter a resistência, preservar a organização e esperar. Vinte e cinco anos depois da invasão, Timor-Leste tornou-se independente e Xanana foi o primeiro líder da nova nação. Resistir tinha sido, afinal, uma forma de vencer.
A ideia não era nova. Sun Tzu, séculos antes, escrevera que a melhor vitória é aquela que se consegue sem combater. A força não está necessariamente em atacar, mas em obrigar o adversário a jogar um jogo que não lhe é favorável. Mao Tsé-Tung levaria esta lógica para a guerra de guerrilha: o adversário poderoso pode ser derrotado através de uma guerra prolongada, evitando o confronto directo e transformando o tempo numa arma. A força militar tem de ganhar depressa; quem resiste precisa apenas de continuar a existir.
Talvez seja esta uma das grandes leis das lutas entre fortes e fracos. A força bruta é imediata; a resistência é paciente. O poderoso pode destruir, ocupar, bombardear e dominar territórios, mas não consegue necessariamente destruir a vontade de um povo de continuar a existir. É a velha metáfora da “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.
Foi isso que aconteceu em Timor-Leste. E é também por isso que a resistência palestiniana não pode ser avaliada apenas pela quantidade de armas, mísseis ou combatentes que possui. A desproporção militar pode ser esmagadora e, ainda assim, não produzir a vitória política que Israel procura.
Resistir não significa necessariamente derrotar o adversário no campo de batalha. Às vezes significa simplesmente não desaparecer. Continuar vivo, continuar a existir, conservar a memória, a identidade e a capacidade de lutar amanhã. É assim que a Palestina tenta sobreviver.



