COMIDO DE CEBOLADA

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O grande derrotado desta moção de censura, contrariamente ao que quase todos os comentadores proclamavam, foi o Chega. Vejamos: durante a audição de Luís Neves os deputados daquele partido exibiram a sua total incompetência.

Depois da tradicional palhaçada e do rol da mercearia, em que uma deputada, que mal sabia ler, elencou os crimes da CMTV, incluindo os de violência doméstica, como fundamento para justificar o aumento da criminalidade em resultado da imigração, os deputados perderam o gás e desinteressaram-se da coisa. O número para as televisões já estava feito. Os seus putativos eleitores ficaram satisfeitos e, à tarde, pensavam continuar o circo.

Seguiu-se a discussão da moção de censura e o Chega foi comido de cebolada pelo governo. Do subsídio extraordinário à redução do IRS até ao 6º escalão, Luís Montenegro usou todos os truques para segurar a sua principal base eleitoral, os idosos e a função pública, e esvaziar a moção de censura.

André Ventura aos gritos, completamente desnorteado, foi esmagado por Paulo Rangel, sem dó, nem piedade. Naturalmente, a cena não ficaria completa sem a berraria final.

Num País normal, este seria o princípio do fim do Chega. Lamentavelmente vivemos num País em que a educação regrediu 20 anos e cerca de 46 por cento dos adultos, entre os 25 e os 64 anos, situam-se nos níveis mais baixos da literacia. Ou seja, quase metade da população adulta apenas consegue interpretar, compreender e processar textos curtos, simples e lineares.

Uma boa parte da nossa juventude vive no Tik-Tok, campo fértil para a expansão de partidos como o Chega. Esta realidade vai aguentando aquele partido. Sem esquecer uma boa parte do comentário político e comunicacional que dá um forte impulso a André Ventura. As televisões, na véspera do debate da moção de censura, foram inundadas pelos elogios, as proclamações laudatórias da genialidade de André Ventura e a certeza da estrondosa vitória com a apresentação da moção. O falhanço foi total. A incapacidade de análise da realidade, o hábito de andar há anos e anos a construir uma realidade alternativa, sem verem para lá da bolha em que vivem, ficou exposta na passada terça-feira.

A terça-feira, dia 8 de Setembro de 2026, deveria ser lembrada como o momento de viragem na vida pública portuguesa. Podem continuar a manipular tudo, mas uma coisa é certa: o Chega e André Ventura atingiram o seu apogeu e podem ter iniciado a queda.

NOTA: Há meses escrevi que o Chega poderia ocupar o espaço do PSD, rebentar com este partido, sendo o eleitorado que vota na AD dividido entre o PS e o próprio Chega. Foi uma provocação e um alerta para os efeitos da promoção que andavam a dar à extrema-direita, numa vertigem que empurrava muitos para a destruição dos princípios basilares do Estado de Direito. Espero que tenham compreendido que esta gente é o grau zero da política. Se não o compreenderam paciência. Sejam felizes.

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