QUEM NASCE PARA MOEDA NÃO CHEGARÁ A NOTA!

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Em Portugal escrever “político demagogo” é quase pleonástico. Isto porque, na maioria das vezes, os políticos são cidadãos impreparados, incultos e, para mais, vaidosos. E tentam esconder a sua incapacidade com grandes tiradas, colocando-se em bicos de pés, falando alto, tentando ser convincentes. De um modo geral o tiro sai-lhes pela culatra e a fragilidade “vem ao de cima”, como se diz na minha terra.

Um exemplo bem representativo deste tipo de políticos é o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas. A ânsia pelos holofotes e pelas câmaras das televisões, ultrapassa o seu bom senso (o que também não seria tarefa difícil) e faz com que caia no ridículo. E o ridículo é o grande inimigo dos políticos.

Todos nos lembramos de algumas decisões suas, apresentadas como grandes soluções para casos considerados problemáticos ou mesmo insolúveis. Ficou-nos na memória a quantidade de camionetas do Município a carregar, do centro da capital, toda a parafernália de caixas de cartão, colchões improvisados e sacos de roupa de dezenas de mendigos que ali “habitavam” nas vésperas da chegada do Papa Francisco a Lisboa para as Jornadas da Juventude.

Quando criticado não teve pejo em garantir que esta era uma tarefa habitual e não uma intenção de limpar a cidade para que aquela realidade não fosse vista pelos milhões de pessoas que iriam acompanhar, em todo o mundo, a visita do Papa. Semanas depois tudo voltou “ao normal” e os mendigos continuam espalhados pela cidade com toda aquela tralha à volta.

Ficam as palavras de Francisco quando, nessa visita, chamou a atenção para os problemas dos pobres nos bairros desfavorecidos de Campolide onde visitou lares sem casa de banho, por exemplo. Todavia há quem desconheça que é sempre mais eficaz e higiénico tomar banho do que pôr perfume sobre o suor…

Este episódio veio-me à memória depois de ouvir Carlos Moedas, aos gritinhos, contra o juiz que libertou um indivíduo que estava acusado de ter disparado uma arma, em pleno Rossio, tendo atingido uma turista.

Disse ele: “É inaceitável esta decisão! Além do exemplo socialmente reprovável que se transmite é também um sinal de falta de autoridade para as nossas forças de segurança. Como presidente da capital de Portugal, repudio em absoluto terem libertado um criminoso! Não é só a imagem de Lisboa que fica em causa. É a imagem de Portugal”

E, realmente, a imagem da capital e de Portugal ficaram em causa com as declarações de um “responsável” (digamos assim), que não se coíbe em falar do que não sabe criticando uma decisão judicial sem fazer a mínima ideia das razões que levaram à tomada daquela decisão.

Um advogado que respeito relatou o sucedido: “Houve uns desacatos na Baixa de Lisboa. Houve um tiro que atingiu, casualmente, uma cidadã estrangeira que felizmente está livre de perigo. Em consequência da investigação policial, foi detido um homem que alegadamente estará envolvido nos desacatos e já estava a ser investigado por violência doméstica. A polícia foi à casa dele e apreendeu uma caçadeira. Ninguém lhe imputou até à data a autoria do disparo. Não apreenderam a arma do crime. Em tribunal negou perante um Juiz que tivesse sido o autor do disparo. O MP não propôs prisão preventiva. Nem o podia fazer. Obviamente, o Juiz não a aplicou porque não se verificavam os pressupostos legais. Perante isto, uma pessoa com responsabilidades institucionais, ao escrever o que escreveu, a propósito da medida de coação aplicada, revela apenas irresponsabilidade, imaturidade e ignorância. Nada mais!”.

E dava, como título do texto: “Os burros também vão pró céu”. Se Carlos Moedas acreditasse nisto nem teria investido na vinda do Papa, por desnecessário no seu caso pessoal.

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