Depois do inqualificável engano de Carlos Moedas, confundindo Jorge Palma com Sérgio Godinho, veio a história da Rua Pina Bausch, na freguesia do Lumiar, numa homenagem a uma das grandes referências da cultura europeia. Tal não seria despiciendo se, na placa, não apresentasse a sobejamente conhecida bailarina e coreógrafa, como ‘dançarina’.

Moedas não só não lamentou o erro com Jorge Palma e pediu desculpas como teve o despudor de tentar justificar o injustificável. Pelo menos, Diogo Moura, vereador na CML pelo CDS, já esclareceu quanto ao ‘lapso’, revelando que na deliberação camarária dizia ‘bailarina’, afiançando que quem trata da toponímia emendará para ‘bailarina e coreógrafa’.
Depois vem a história do sistema Volta. Moedas quer acabar com ele, porque os sem-abrigo, à procura de alguma ajuda, andam a remexer nos caixotes do lixo. Pois tem muita razão o eng. Moedas: os sem-abrigo não precisam de remexer nos caixotes. Há lixo por toda a cidade e, seguramente, não são os sem-abrigo que o fazem. O problema é a falta de carros do lixo e o tempo que obrigam os trabalhadores a perder, de um lado para o outro, a empurrar carrinhos de mão.
O presidente da edilidade dá o exemplo de França. Só se esquece dos pormenores que foram negociados em França e que… ele próprio não negociou. Talvez se a parte social da autarquia tivesse mais funcionários e os sem-abrigo fossem tratados devidamente, o sistema Volta funcionasse melhor. Como afirmou a socialista Alexandra Leitão, no programa Facto Político, ‘o Volta não é um drama social, o drama social é haver pessoas obrigadas a vasculhar o lixo’.
Aliás, como bom exemplo, lembre-se que o vereador da Habitação na Câmara de Lisboa, Vasco Moreira Rato, recusou reverter o despejo de uma jovem viúva com dois filhos menores. O vereador Independente, indicado pelo PSD, está irredutível com uma situação que a comissão de utentes e moradores descreve como ‘uma das mais desumanas e violentas’ de Marvila.
Na reunião da Assembleia Municipal, Rato justificou dizendo que a ‘munícipe interpôs duas acções em tribunal à Gebalis (empresa de gestão da habitação municipal)’, que foram consideradas improcedentes. Mas, agora vamos à história: a jovem e os filhos viviam numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila. Pagava as rendas e tentou regularizar o contrato de arrendamento, após a morte, em 2024, dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste.
Então, a senhora vivia na casa com as crianças, pagava a renda, cumpria tudo, mas, crime supremo, não concorreu ao Programa de Arrendamento Apoiado. ‘Pela sua pontuação, tem 2.800 famílias à frente’ e ‘fazer esta excepção implicaria retirar uma casa a uma destas famílias’, diz a Câmara. Mas então a senhora não vivia lá com as crianças? E agora vai viver onde? Como?

Resulta daqui que as cabeças competentes da Câmara de Lisboa optaram por desalojar uma família que não cumpriu as formalidades administrativas, porque já residia na habitação e, quiçá, criar mais uma família sem-abrigo…
Saliente-se, ainda, que a entidade municipal a quem a Câmara de Lisboa entrega o dinheiro destinado ao financiamento da Web Summit está contra a realização da despesa de oito milhões de euros, atribuídos à edição que vai decorrer de 9 a 12 de Novembro. Numa reunião do Comité de Investimentos do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa (FDTL), o diretor-geral da Associação de Turismo de Lisboa (ATL) criticou aquele gasto camarário, proveniente da taxa turística municipal.
E, já que continuamos em maré de asneiras, vem daí o inefável Moedas dizer na televisão que as obras num dos túneis do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) pararam em Maio por causa da descoberta de vestígios arqueológicos. E queixou-se: ‘Agora tem de ser até 20 metros à mão. Cada dia que a obra está parada são 15 mil euros que os lisboetas pagam. Desde Maio há custos de mais de 2 milhões de euros’, explicou.
De facto, Moedas apresentou sempre este plano como o seu ex-libris: era o fim das cheias em Lisboa, um buraco aberto por um cidadão luso-francês, e tantas outras coisas. Agora estudos? Nãã que isso dá muito trabalho, embora se saiba o que está por baixo da cidade tal como a conhecemos hoje.
Quem não achou graça foi o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (Starq) que acusou Moedas de desonestidade ao ‘responsabilizar os arqueólogos’ por eventuais incumprimentos nas obras do PGDL. E mais disse: ‘na gestão de uma obra pública desta natureza exige-se planeamento, responsabilidade e transparência’. Claro que o sindicato ignora que tais coisas não existem na Câmara de Lisboa, nem quem assuma os erros e ainda os justifique, nem que seja de forma atamancada. O sindicato recorda que no troço da obra em Chelas foi identificado um ‘arqueossítio’ em Junho, comunicado de imediato a todas as entidades competentes.
Moedas, uma vez mais, justifica com a sua ‘visão’: diz que a obra está parada desde Maio, o que significa ‘ainda antes de os vestígios terem sido sequer identificados’.
E pronto! Houve mais disparates, mas, por hoje, basta. Pode ser que alguém faça alguma coisa para Lisboa deixar de estar ‘entregue à bicharada’.



