OS POPULARES CANTOS QUE VÃO DO NATAL AO DIA DE REIS

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A carismática celebração do Natal e do sequente tempo que se estende até ao Dia de Reis integra, como festa, componentes diferenciadas, que vão da assistência aos actos religiosos – onde a Missa da Meia Noite do Dia de Natal é dita Missa do Galo – do beijar do Menino, da execução de um presépio, da típica Fogueira de Natal em praça de aldeia ou da queima de um tronco simbólico nas lareiras familiares, aos cânticos típicos da época.

De entre estes destacamos os cerimoniais cantares da liturgia natalícia, como o Adeste Fideles, vindo já do século XVII; o emblemático canto que conhecemos como Noite Feliz (Silent Night), de 1818, hoje Património Cultural da Humanidade; o Gingle Bells, que foi criado, em 1859, para celebrar o Dia de Acção de Graças, nos Estados Unidos e depois se tornou canto de Natal; e lembramos esse bonito canto de Zeca Afonso – Vamos cantar as Janeiras – que, com outros ritmos da sua obra “Natal dos Simples”, se mantém como cântico clássico e não folclórico.

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Os cantos que habitualmente designamos Cantos de Janeiras ou Cantos de Reis ou Reisadas, de um folclore que vem de longínqua origem, pelo menos do século XVI, fazem parte de uma genuína tradição popular de tal modo cimentada nos costumes da gente simples do povo que os ritmos da vida moderna, o abandono das aldeias e uma prática económica diferenciada não fizeram apagar.

E hoje os temos, os Cantadores de Janeiras, os Cantadores dos Reis ou reiseiros integrados, no geral, nos Agrupamentos Folclóricos que, nesta mais alargada época do Natal, promovem espectáculos, que, às vezes, integram vários grupos concertados para o efeito, aproveitando, no geral, como antes acontecia, o tempo nocturno de silêncio e de paz.

Já não requerem, cantando, os frutos da terra, como antes acontecia; quando muito, requerem pouco mais que migalhas dos recursos do erário municipal para desenvolverem e manterem essas tradições culturais e cívicas de que fazem seu propósito.

Voltando à tradição, evoco esses grupos familiares ou de garotos de rua que se juntavam nas aldeias, ao cair da noite que antecedia a festa do Primeiro Dia de Janeiro, celebratória da Circuncisão do Menino, rito da cultura judaica; evoco a festa da véspera do Dia de Reis, hoje esquecida, e a mansa solenidade desses cantares de paz.

Percorriam as ruas das aldeias, sustendo-se junto dos portais das casas mais abonadas, requerendo, em troca do canto, esses dons da economia local de matriz agrária.

Como testemunho, trago, da lição que o beirão Aquilino Ribeiro nos deixou no seu encantador livrinho – O Livro do Menino Deus, dos meados do século anterior, um breve texto destes cantares. -Assim:

Às vezes não eram atendidos e então cantavam, ao jeito da medieva idade, um cântico de escárnio e maldizer:

E seguiam para outra morada.

Quanto a nós, voltaremos num qualquer dia de um amanhã pouco distante.

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