GUINÉ-BISSAU: GOLPE CONSUMADO

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O golpe de Estado na Guiné-Bissau está consumado. Os principais atores políticos estão detidos, em fuga ou no exílio. O general que assumiu o poder nomeou um novo primeiro-ministro, há um governo.

O golpe militar aconteceu na véspera do dia em que se esperava que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciasse os resultados. Não era apenas a Presidência que estava em disputa, também os 102 lugares de deputados no parlamento.

Hoje, depois dos militares terem libertado os elementos da CNE que tinham sido detidos, houve uma conferência de imprensa. Foi dito que, no momento em que os militares tomaram de assalto a CNE, o organismo apenas tinha as atas eleitorais da região de Bissau. Faltavam ainda todas as outras. Ou seja, não é possível dizer quem venceu as eleições, o que há são resultados parciais de algumas regiões que nunca foram ratificados pela CNE.

vídeo: declarações do porta-voz da CNE, em Bissau

Naquele momento, havia já um movimento afeto ao candidato Fernando Dias que reclamava a vitória eleitoral, alegando que já tinha tido acesso à globalidade do escrutínio. Os adversários de Fernando Dias (e do PAIGC, o partido que apoiou este candidato), diziam que se tratava de atas falsas e que não era possível garantir quem tinha sido o vencedor da eleição presidencial nem das eleições legislativas.

Do novo Governo, tivemos declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo Vieira, no final de um encontro com a delegação da CEDEAO que esteve em Bissau a acompanhar o processo eleitoral. Curiosamente, o novo MNE foi um dos 11 candidatos que concorreram à eleição presidencial.

vídeo: declarações do MNE, João Bernardo Vieira

Segundo o MNE, confirma-se que ainda há políticos detidos, nomeadamente Domingo Simões Pereira, que era considerado o principal adversário de Umaro Sissoco Embaló. O candidato Fernando Dias está refugiado numa embaixada, em Bissau.   

João Bernardo Vieira é um dos casos que fragiliza a tese de que o golpe foi orquestrado pelo Presidente deposto, agora exilado no Congo Brazaville. O MNE guineense é militante do PAIGC, pertence à cúpula diretiva desse partido, no cumprimento de uma espécie de legado que lhe deixou o tio, o falecido Presidente Nino Vieira.

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