INDEFESOS PERANTE A LEI

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Quando começámos a trabalhar, há décadas, prometerem-nos reformas compatíveis com os descontos que fazíamos para a Segurança Social. E nós acreditámos. Depois, começaram a descontar-nos mais um pouco, alegando que era preciso para quem tem pensões mais baixas. E nós acreditámos. Depois aplicaram-nos taxas mais elevadas de IRS, a bem da Nação. E nós acreditámos. Até começarmos a ver que as nossas reformas iam sofrer cortes e os nossos impostos aumentavam.

O dinheiro poupado deixou de render. Acenavam com promessas e mais promessas e os sucessivos governos foram ficando com tudo o que tínhamos. As nossas perspectivas de reformas decentes esvaíram-se nas despesas de um Estado que, não sendo ladrão, tinha muitos ladrões a geri-lo.

Recentemente, um amigo ficou viúvo e foi requerer a pensão de viuvez. Espanto dos espantos, o que vai receber não são os 60 por cento do valor da pensão da mulher, mas 60 por cento de três vezes do montante indexante de apoios sociais até à data da morte desta. Quer isto dizer que, fosse a pensão da minha amiga de qualquer valor acima de 1500 euros, ele receberia, sempre e somente, 60 por cento de 1500 euros. O resto, vai para um Estado perdulário, capaz de gastar em reformas milionários para os seus gestores, em carros de luxo, em 235 milhões de euros numa nova sede do Banco de Portugal, em promessas eleitorais que, passadas as eleições, caem em saco roto ou, como no caso dos tarefeiros do Serviço Nacional de Saúde, até lhes cortam nos salários que negociaram. Para não falar nos professores inexistentes, nas aulas que não há, na incapacidade para resolver os problemas de Educação, bem como as escandalosas despesas com as entidades bancárias, tal como sucede em todos os sectores da vida pública.

Entrementes, esse Estado continua a mandar embora os nossos jovens, a correr com os imigrantes que produzem e descontam para a Segurança Social, enquanto são vilipendiados, a ter hospitais em ruptura, sobretudo nas urgências, a ver grávidas a morrer ou a terem crianças em qualquer lugar, excepto nas maternidades. Como continua a permitir rendas na habitação absurdas, com ‘moderadas’ de 2300 euros, e subsídios de apoio com mais de um ano em atraso, ou T0 a 750 mil euros.

É isso: quem os ouve falar nas televisões e na rádio e lê notícias, vivemos no melhor país do mundo…

Mas as promessas que nos fizeram quando começámos a trabalhar, depois de décadas de descontos e muitos sacrifícios, em que nunca nos importámos de ter um pouco menos para que outros tivessem um pouco mais, caem por terra, destruídas por gente de pouca honra.

Só mais um alerta: o próximo ano não vai trazer senão IRS a pagar e contas cada vez mais elevadas, para reformas mais baixas, num caminho sem retorno.

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