Há um novo rascunho de cessar-fogo sobre a mesa. Apresentado por Trump, elogiado por Netanyahu, considerado “positivo” pelo Hamas, este plano, dividido em três fases e estendido por 60 dias, promete a troca de reféns por prisioneiros, a entrada de ajuda humanitária em Gaza e um processo negocial para um eventual fim das hostilidades. Promete mas não assegura. É um filme já antes visto e sabemos no que deu.
Israel insiste que este é apenas um armistício provisório. Netanyahu não esconde que retomará a ofensiva “até destruir totalmente o Hamas”. Por sua vez, o Hamas, encurralado e exaurido, continua a exigir garantias de que o cessar-fogo não será apenas um compasso de espera para novos bombardeamentos.
A trégua é necessária. Gaza sangra a céu aberto: mais de 57 mil mortos, centenas de milhares de feridos, cerca de 2 milhões de deslocados, localidades reduzidas a escombros e uma população sitiada por fome, sede e luto. Na Cisjordânia, a violência dos colonos israelitas, sob proteção dos militares, expulsa famílias e ocupa casas num processo de limpeza étnica que nem sequer se pretende disfarçar.
Hoje (5 de julho) num único ataque contra o edifício da Escola Mustafa Hafez, onde estavam alojados deslocados idos de Al-Rimal (subúrbio de Gaza), foram mortas pelo menos 11 pessoas, entre elas várias crianças.

EUROPA ‘PAPEL DE EMBRULHO’
Face a esta tragédia, o papel da União Europeia é uma sombra daquilo que devia ser. Em vez de agir como potência moral e diplomática, limita-se a repetir lugares-comuns sobre “o direito de Israel a defender-se”, esquecendo a proporcionalidade, o direito internacional, a dignidade dos palestinianos. Bruxelas transformou-se num papel de embrulho, que apenas serve os interesses de Israel.
A Europa continua a exportar armas para Israel, mesmo após decisões do Tribunal Internacional de Justiça que exigem o fim das ações genocidas. E vários Estados-membros votaram contra resoluções que pediam um cessar-fogo imediato e incondicional.
Trump procura capitalizar em seu proveito o conflito. Primeiro, quer forjar uma “vitória diplomática” para, mais tarde, lançar o empreendimento urbanístico de luxo “Riviera Palestiniana” ou lá como se irá chamar a colonização da Faixa de Gaza.
A equação é perversa: Israel quer rendição, não paz; o Hamas, mesmo à beira do colapso, recusa ajoelhar-se; os civis palestinianos continuam a morrer; a Europa assiste aquilo que todos vemos acontecer diariamente e que o vídeo seguinte mostra num resumo compilado durante a última semana.
(se o vídeo for censurado pelo YouTube, poderá ser visionado no Telegram)



