Em 2024, as autoridades alemãs registaram um total de 57.701 crimes com motivação extremista, refletindo um cenário preocupante de radicalização no país. O Gabinete de Protecção da Constituição (BfV) identificou dados alarmantes sobre o extremismo em 2024:
– Extremismo de direita: 50.250 indivíduos, dos quais 15.300 são considerados propensos à violência.
– Extremismo islâmico: 28.280 pessoas, com 9.540 em risco de adopção de métodos violentos.
– Extremismo de esquerda: 38.000 activistas, com 11.200 de tendências violentas.
Tudo isto tem a ver com a polarização social e cultura do confronto.
O relatório não se limita aos números, alertando também para uma degeneração do clima social. A sociedade alemã está cada vez mais dividida, com discursos políticos e mediáticos que privilegiam o conflito em vez do diálogo.
Assiste-se a um reducionismo perigoso: Debates públicos são dominados por uma visão maniqueísta (“bem contra o mal”), ignorando nuances e aprofundando divisões. Guerra e propaganda: temas complexos, como conflitos internacionais, são simplificados em “a favor ou contra”, eliminando espaço para análise crítica e objectiva.
A falta de coerência política, a hipocrisia, o dogmatismo e o cinismo são factores que alimentam a desconfiança e o radicalismo.
O relatório da Protecção Constitucional Alemã serve como um alerta urgente: a radicalização e a polarização estão a corroer a coesão social. Para combater o extremismo, é essencial promover diálogo, transparência política e rejeição de narrativas simplistas que alimentam o ódio e fomentam o desequilíbrio. Segundo um provérbio alemão “o peixe começa a feder pela cabeça”.
(crónica também publicada em Pegadas do Tempo)



