O HOMEM DO MEGAFONE

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O déficit comercial dos EUA é o principal argumento de Trump para ter dado início a esta guerra comercial com o resto do mundo. E a coisa devia estar mesmo a chegar a um ponto de ruptura, para a decisão ter sido tomada.

Trump parece um maluquinho, mas não se deixem enganar pelo folclore do boné vermelho. Ninguém governa os EUA sozinho, sem uma equipa e uma parafernália de conselheiros, Think Tanks e estrategas políticos e militares.

Grupos como o Hudson Institute ou o American Enterprise Institute andaram anos a preparar este caminho, com alertas sobre a ascensão da China. É gente que pensa que se os EUA não travarem a China agora, perdem o topo do mundo, o poder e o dinheiro que isso representa. E têm razão.

Na 1ª página do site do Hudson Institute, dia 8 de abril de 2025, alguns exemplos das ideias que eles defendem

O complexo militar-industrial americano vê na China um novo “inimigo útil” depois da Guerra Fria e da luta contra o terrorismo. O perigo chinês é de maior relevância que o perigo russo e, a curto prazo, irá justificar investimentos massivos em armamento convencional mas, também, em ciberdefesa, satélites, inteligência, etc.

Ao lado da tropa, as grandes empresas tecnológicas apoiam as medidas anti-China, porque a concorrência era brutal. Ao afastar gigantes chineses, ganham tempo e mercado. O Tik Tok foi a primeira vítima.

Boa parte do déficit comercial dos EUA é com a China. Um desequilíbrio de centenas de milhares de milhões por ano.  Para Trump, isso comprova a armadilha em que os EUA tinham caído, “enganados” num comércio injusto. Mas Trump esquece-se que foram os empresários e gestores norte-americanos os primeiros a deslocalizar indústrias para a China para aproveitar a mão-de-obra barata e o potencial de um mercado consumidor enorme.

Quando a China começou a crescer desmesuradamente, os americanos assustaram-se. Afinal, o governo da China quer fazer do país uma potência mundial, líder mundial.

A ideia de depender de um “rival estratégico” para tecnologia crítica (como chips ou redes 5G) gerou um medo geopolítico. A China nunca deu a entender que ameaça militarmente o mundo. Mas os EUA começaram a ter medo. Eles sabem que se perderem o controlo da economia global, do desenvolvimento tecnológico, perdem a hegemonia. Com um adversário mais fraco, Trump teria optado por bombardear. Com a China limitou-se a dar início a uma guerra comercial.

Trump é o homem do megafone. É o animador de multidões que grita as palavras de ordem. Mas não será o ideólogo de uma guerra feita à medida dos interesses de multinacionais e corporações dominadas pelos que apoiam o sionismo.

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