LEVAR DOIS DEDOS DE BORDA*

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Em 2005 Luís Marques Mendes enfrentou dois alegados caciques:

a) Isaltino de Morais que, hoje por hoje, enfarda à custa dos munícipes de Oeiras. O concelho com a maior escolaridade de Portugal mas também com a menor lucidez. Foi condenado e cumpriu pena mas infelizmente a Lei permite que um cidadão prevaricador ao serviço da causa pública o possa voltar a fazer.

b) Valentim Loureiro, antigo autarca de Gondomar, à data arguido em vários processos  e sujeito activo em incontáveis escutas do Apito Dourado. Foi de tudo absolvido.

Dizia Marques Mendes que as candidaturas eleitorais de figuras políticas acusadas, pronunciadas ou condenadas por “crimes especialmente graves” constituem “uma vergonha” para o regime democrático. A lei devia “consagrar frontalmente uma inelegibilidade” e aponta falta de coragem à Assembleia da República. Um “autarca, deputado ou governante” a braços com processos judiciais “especialmente graves”, como os casos de “corrupção, peculato ou fraude fiscal”, está “fortemente diminuído na sua autoridade, na sua credibilidade e nas condições para o exercício de um cargo político, comprometendo assim o prestígio da política e a imagem das instituições”.

Aquilo que importa reter é a coragem intelectual e política de Marques Mendes, não cedendo às fortes pressões dentro e fora do partido.

Em 2023 num acto discricionário e abusivo, Gouveia e Melo puniu os seus subordinados. Uma postura inaceitável. Foi contra tudo aquilo que um chefe de armas deve fazer, resguardar e defender os seus homens em público. Mostrou não ter ética nem carácter para comandar sequer um corso carnavalesco. O Tribunal Central Administrativo Sul, anulou os castigos dos processos disciplinares.

Entretanto o Ministério Público acusou os 13 militares da Marinha de insubordinação por desobediência em processo-crime. O advogado Garcia Pereira explicou que o mesmo Ministério Público “nomeou para fazer peritagens uma subordinada do almirante Gouveia e Melo, uma professora da Escola Naval, à revelia da defesa” e vai contrapôr.

Todos nós em Águeda temos a felicidade de conhecer um homem diferente, um Almirante, verdadeiro, genuino, um fuzileiro detentor do mais vasto leque de cursos e missões, um operacional e um estratega. Um exemplo daquilo que é um marinheiro, pessoa de apito, rufo e volta na abita. Uma pessoa de alto gabarito.

Na gíria dos marujos (1) há uma expressão que simboliza a solidariedade  e o companheirismo dos irmãos de armas, tirar as dores por outro, defender  a honra de um amigo. Gouveia não o fez porque queria abichar, conseguir alguma coisa. Contava certamente com a passividade e o medo dos homens mas estes mostraram carácter e honra, enfrentaram o tiranete e mostraram o quanto ele não via a boia, não percebia. Uma vida conduzida a navegar com vento na quadra, conduzir-se de modo a agradar aos seus superiores, fica agora a descoberto.

Em quem confiais?

Marques Mendes tem um passado conhecido. Podemos ou não gostar dele mas não nos vai enganar ou desiludir ou trair. É um português que não vai suspender ou castigar sumariamente o seu povo e que construiu uma carreira a mediar conflitos e a pensar o país. Com Marques Mendes não corremos o risco de dar um passeio à mão de vaca. Não vamos parar à prisão. Sem julgamento.

*Ser atirado ao mar, borda fora.

(1) Gíria dos Marujos, Moisés Espírito Santo 2004

(O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico)

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