O estapor da vespa!

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Chamou-me o Alfredo. Num dos pinheiros do matagal ao lado da casa estava um ninho de vespas asiáticas e ele não sabia que fazer. Fui lá. Vi o matagal por limpar. Vi o ninho. Foi em meados de  Dezembro.

Dei conta da ocorrência à entidade pública competente. «Na sequência de visita ao local, o Deptº responsável informa que o suposto ninho encontra-se em propriedade privada, não se tendo observado vespa asiática junto ao pinheiro sinalizado. O munícipe foi informado, pelo técnico, que nesta época do ano o ninho estaria inativo». Mas, se eu quisesse que a diligência prosseguisse, deveria ir à página digital indicada e preencher o formulário.

Fiquei ciente. Não fui.

E lembrei-me agora de novo dos medos do Alfredo, porque, dias seguidos, tem vindo espreitar-me à janela do escritório uma vespa asiática. Bate aqui, bate ali, como a pedir-me que abra. Não abro. Se mosca fora e estivesse do lado de dentro, eu abria para lhe dar a liberdade de voar por esses céus, escapando porventura à voracidade dalgum pássaro guloso. É vespa e asiática. Esconjuro-a.

Também a Genoveva me tinha vindo dizer: «Andam umas estaporadas vespas asiáticas no jardim!». E, vai daí, não telefonou pra ninguém, e preparou a mistela assassina. Ficaram colocadas em sítios estratégicos três garrafas de plástico com um buraco em cima por onde se emanassem os sedutores perfumes e as gulosas entrassem. Haveriam de ir lá as maganas! E já foram. E moscas. E até uma lesma. A mezinha está a dar resultado.

Não telefonei ao Alfredo. O ‘seu’ ninho, a esta hora, já decerto estará reactivado. Mantém a Genoveva a guerra aberta contra tudo o que é vespa manhosa. Já o cadáver duma apanhámos em casa. Todos os dias damos uma volta pelas garrafinhas perfumadas, a ver se mais alguma caiu na esparrela. A lembrar-me do tempo em que, moço pequeno, eu armava aos pássaros e ia ver as ratoeiras, se algum tinha caído.

Agora armamos às vespas. Uma chatice! Os pássaros havia muitos outrora, e a gente industriava-se a caçá-los e o petisco também servia para muito agradável convívio.

Era o tempo em que não havia telemóveis, enquanto se petiscava. Agora, os pássaros rareiam, as vespas e os telemóveis multiplicam-se.

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