JARDINS, ESGOTOS E AMBIENTE

O CASO DO PARQUE ECOLÓGICO E INTERMODAL DA VENDA DO PINHEIRO

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Há uns anos, a autarquia de Mafra teve uma iniciativa interessante. Em vez de autorizar um projeto urbanístico de construção de blocos de apartamentos num terreno no centro da Venda do Pinheiro, comprou o terreno e fez um jardim. Nesse espaço acomodou ainda um estacionamento automóvel, paragens de autocarros de transporte público e escolares. Foi uma obra estruturante para a localidade.

Chamou-lhe Parque Ecológico e Intermodal. O projeto incluiu a reabertura a céu aberto do troço do leito do rio Lizandro. Na pequena biblioteca municipal que foi para ali transplantada, há uma zona dedicada à “interpretação” do rio.

Desencanar o pequeno rio foi bom. A maioria dos habitantes da região nem sonhava que havia ali um rio a passar por baixo das casas. O pior são as descargas poluentes que periodicamente poluem a água e empestam o ar. No passado dia 8, aconteceu mais uma vez. De tal modo que, manhã cedo, já lá andava uma empresa especializada em tratamento de resíduos.

A nosso pedido, a Blueotter prestou o seguinte esclarecimento, por escrito:

“Por solicitação do cliente Águas do Tejo Atlântico (AdTA), do Grupo Águas de Portugal, procedeu-se à limpeza de um descarregador do Parque Ecológico da Venda do Pinheiro. Em particular a aspiração de águas existentes no interior do descarregador, a remoção de areias existentes no interior do descarregador, a lavagem das paredes e do fundo do descarregador, a aspiração das águas provenientes das lavagens e o encaminhamento para destino final licenciado.”

A resposta da Blueotter não explica como aconteceu o derrame do esgoto para o leito do rio. A verdade é que o esgoto está tão próximo do rio que é de supor que, em tempos, os esgotos urbanos seriam vazados diretamente para o Lizandro. Esperemos que já não seja assim.

Até porque o jardim público pode ter algum potencial ecológico. Algumas aves andam por aqui, as pessoas começam finalmente a acarinhar os patos e há uma garça real que volta e meia aparece por aqui… se nos aproximamos ela foge, ainda não merecemos a sua confiança, e como ela tem razão… mas é um pássaro magnífico…

A Garça Real é frequente em Portugal. Vive em zonas húmidas, gosta de água doce mas também frequenta zonas costeiras. Gosta de peixe, mas aqui tem de se contentar com ratos, insetos e caracóis.

Depois da garça real se ir embora, dando uma volta pelo parque, reparamos que há algum lixo espalhado um pouco por todo o lado.

É evidente que quem cuida do jardim apanha o lixo, mas é evidente que o empenho não é grande porque nas zonas onde é preciso fazer alguma ginástica para lá chegar, o lixo permanece dias a fio.

A escola secundária é ali mesmo ao lado, boa parte destes papéis e plásticos deve vir de lá… talvez não fosse má ideia a escola organizar umas sessões de limpeza do parque, englobando essa atividade na disciplina mais relacionada com a natureza… ou com a cidadania.

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