A corrupção, da esquerda para a direita

"... se a esquerda protege os corrompidos a direita protege os corruptores."

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Combater a corrupção é uma necessidade urgente, porque é pela corrupção que desaparecem recursos financeiros importantes para desenvolver o país e proteger os mais desfavorecidos da sociedade.

O relatório Índice de Perceção da Corrupção 2021, divulgado agora pela organização Transparência Internacional, é uma acusação tremenda contra o poder político português quanto à ineficiência e ineficácia das políticas de combate à corrupção.

O Índice de Perceção da Corrupção de 2021 – relatório produzido anualmente pela Transparency International  – aponta falhas no combate à corrupção em Portugal, nomeadamente na Estratégia Nacional de Combate à Corrupção, por deixar de fora do seu âmbito os gabinetes dos principais órgãos políticos e de todos os órgãos de soberania e, também, o Banco de Portugal.

Transparência Internacional

Desde 2012 até hoje, durante 10 anos, “não se registaram evoluções significativas” nesse combate, embora exista uma estratégia nacional de combate à corrupção, iniciativa do Governo e aprovada pela Assembleia da República. Acontece que essa estratégia não é aplicável aos órgãos de soberania, deixa de fora a corrupção política, o que é inaceitável e permite todos os equívocos e manipulações.

A corrupção que mais se sente, seja ela verdadeira ou falsa, é a da promiscuidade entre os negócios e a política, as portas giratórias entre empresas, deputados e ministros. Ao isentarem-se a si mesmo do escrutínio sobre corrupção, os políticos continuam a dar uma péssima imagem de si mesmo. Até os que não são corruptos, “ficam à porta”. Não denunciam, não acionam os meios legais, não exercem esse combate. Com honrosas exceções, como é o caso de Ana Gomes (antiga eurodeputada).

Ana Gomes sobre perdões fiscais a grandes empresas e fundos de investimento.

Outro verdadeiro paladino desta causa é o professor universitário Paulo Morais. Diz ele que tudo começa nos partidos… e escreveu um livro sobre o tema.

“Colocam os seus agentes na política, na administração central e nos cargos autárquicos, com dois grandes objetivos: primeiro, fazer negócios para privilegiar os financiadores dos partidos, e, para além disso, arranjar lugares para que os seus apaziguados mantenham esta máquina a funcionar. A política transformou-se num meganegócio”

Paulo Morais

Enquanto a esquerda política faz aprovar leis tímidas e facilmente contornáveis pelos esquemas da corrupção, a direita cala-se sempre que os casos de corrupção se relacionam com clubes de futebol poderosos, empresas multinacionais, vistos gold ou offshores. Talvez se possa dizer, mesmo, que se a esquerda protege os corrompidos a direita protege os corruptores. E assim não vamos lá.

fonte: Transparência Internacional

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