Cristina Ferreira abriu a guerra na TVI

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A pulverização do capital da TVI vai arrasar o sucesso de Nuno Santos na conquista da liderança das audiências. Serão muitos a querer mandar e percebem pouco dos meandros da televisão, cada vez mais complexos e dispendiosos.

Tony Carreira e Pedro Abrunhosa e mais uma mão cheia de artistas estão na calha para serem donos em conjunto da TVI. São pessoas muitos sensíveis pela natureza do seu trabalho e por isso adivinham-se grandes gritarias e enormes confusões. A TVI já foi da Igreja Católica. Mas nunca se imaginou uma televisão na mão de músicos cantores e artistas.

A TVI poderá então repor o célebre cartaz «A emissão segue dentro de momentos», muito utilizado pela RTP nos anos 60 e 70 do século passado. Quando Nuno Santos atender 10 accionistas ao mesmo tempo, vai de certeza ter negros na emissão. Ele talvez mantenha a calma e lucidez de sempre, mas e o resto da estrutura? Vai entrar em parafuso.

O ambiente em televisão foi sempre tenso, por inerência do meio. E também pelo tempo contado em segundos. Mas agora com a pulverização artística do capital da TVI as decisões e acontecimentos serão faiscantes.

Quem viveu nas redacções das televisões, assistiu a cenaças de algumas vedetas que nunca sonharam ser accionistas. Era pessoas risonhas e tranquilas no écran, mas histéricas, agressivas e chocantes no dia-a-dia. Agora, imaginem se tiverem o pau na mão. Vai ser bonito, vão ser muitos a gritar e a macaquear. Todos vão querer mandar.

Se não houver travão, a importância social das televisões generalistas irá pelo cano. E sem a admiração do público e a escassez dramática de publicidade, vão ganhar o computador e o telemóvel.

 A TVI teve um início abençoado pela Igreja, com Aníbal Cavaco Silva. De seguida meteu-se em aventuras como a Rede Independente de Transmissão (Reti). Foi salva dessa aflição por Guterres. E os bispos perceberam finalmente que era muito caro falar 10 minutos em televisão. Queriam poupar nas instalações mas era impossível fazer uma TV num anexo da Igreja de Fátima em Lisboa.

Vieram os estrangeiros e foram e voltaram a vir. Alegadamente circulou assim muito dinheiro. A TVI chamou-se 4 e tinha uma cruz. Só vingou com José Eduardo Moniz, que é um príncipe da Televisão em Portugal. Rangel na SIC disputou-lhe de forma renhida o título.

O tira-teimas foi o “Big Brother”, cuja verdadeira história nunca se saberá. Rangel queria o BB? Como é que Moniz ficou com o programa? A TVI passou para o primeiro lugar nas audiências. Foi um choque. O lixo vendia. Cristina Ferreira singrou neste cenário. Subiu a catedrática na escola de Teresa Guilherme. Saiu da TVI e voltou.

As televisões transformaram-se num carrossel onde se acena com dinheiro que não se pode pagar. Até há pouco parecia um jogo de poker. Mas a Prisa sentiu o excesso de bluff, baixou o preço e pronto… o carrossel tornou-se um circo. Todos puxaram das notas, para ter um canal de televisão. E chegámos à fase mais temível: a pulverização do poder.

Nuno Santos reúne o melhor de Moniz e Rangel. Foi pupilo dos dois. Já fez o pleno das televisões. Foi a África e voltou para montar o Canal 11 da Federação Portuguesa de Futebol. Irá Nuno Santos sobreviver ao turbilhão das vaidades que se anuncia? Se a tempestade for grande… adeus TVI.  A guerra já começou no canal que já foi dos padres e artistas não faltam.  Cristina Ferreira não tem medo. 

No sofá, cá estaremos para ver a nova novela ao vivo e a cores. Em breve na TVI.

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