Medina e Carreiras contra Temido

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A ministra da Saúde afirma que os transportes públicos não estão associados a nenhum dos novos casos de infeção na região de Lisboa e Vale do Tejo, embora seja contraditada por alguns autarcas, nomeadamente o presidente da Câmara Municipal de Cascais e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Na Assembleia da República, perante os deputados da Comissão de Saúde, a ministra garantiu que “os transportes públicos não estão associados a nenhum dos novos casos de infeção”, uma afirmação politicamente perigosa, uma vez que é do senso comum que as condições em que os utentes são transportados são más, principalmente nas horas de maior procura.

A ministra argumentou, ainda, que “todos os países mostram dificuldade em controlar a epidemia em zonas de alta densidade populacional e alto nível de contactos”, mas acaba por reconhecer alguma dúvida íntima ao dizer que, no entanto, “não há uma resposta definitiva”.

Controlo na “fronteira” de Cascais

Para Carlos Carreiras não há grandes dúvidas, o autarca de Cascais afirma mesmo que admite criar medidas mais severas, como um sistema que implica o transbordo de passageiros nas horas de ponta, na “fronteira” de Cascais, dos transportes provenientes de Lisboa ou Sintra para autocarros da empresa municipal devidamente desinfetados. No transbordo, todos os passageiros serão submetidos a controlo de temperatura.

Há grandes dúvidas sobre a viabilidade de aplicar tal medida, não só legais como de ordem prática.

As declarações de Carreiras vêm no Jornal I e na rádio Observador.

Fernando Medina criticou as autoridades sanitárias, disse que com “maus chefes” e “pouco exército”, a luta contra o covid-19 dificilmente será ganha. Foi assim que Fernando Medina criticou a Direção-Geral da Saúde e pediu responsabilidades pelo aumento de casos de Covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo, naquela que afirmou ser uma “nota direta a todos os responsáveis”. O presidente da Câmara de Lisboa exige mudanças rápidas para resolver os erros que foram cometidos nas zonas vizinhas da capital do país.

90% não é suficiente

Face às críticas, em comunicado hoje divulgado, a Área Metropolitana de Lisboa, que tem funções como autoridade de transporte, avança que a partir de hoje a “oferta de transporte público rodoviário de passageiros na região metropolitana de Lisboa foi reforçada para mais de 90%, relativamente à existente no período pré-pandémico, o que se traduz, em termos concretos, num crescimento de cerca de 4.000 circulações por dia, face à oferta registada em junho”.

A questão é que 90% do que era normal pode não ser suficiente nas horas de ponta. Já antes da pandemia, não era suficiente para proporcionar o minimo de conforto aos passageiros e, agora, com o distanciamento social exigível para evitar contágios, parece evidente que a resposta dos transportes públicos ainda é mais mediocre.

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