
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, é, para ser comedido, uma reconhecida cavalgadura.
Num dia em que dezenas de milhares de migrantes, segundo o presidente da cidade autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, entraram na cidade a partir de Marrocos, aumentando a muito problemática crise migratória, o pobre-diabo do Ben-Gvir resolveu dizer uma piada. O que, habitualmente, corre mal a acéfalos.
Ceuta estava a ser invadida por 50.000 cidadãos, na sua imensa maioria jovens destemidos, à procura de uma vida melhor, que tentaram atravessar o mar, a nado. Seis dezenas deles morreram afogados. Os milhares que conseguiram chegar a terra, tão logo a pisaram, começaram a dar “vivas” a Espanha e a agradecer aos espanhóis na convicção de que seriam bem recebidos. Poucos teriam a consciência de que tal não seria possível.
Um dos grandes problemas de hoje, em toda a Europa, é a imigração e esse drama aumenta quando ela é desregulada. Os estudiosos indicam as principais razões para a combater: “a escassez de habitação, a sobrecarga nos sistemas de saúde e educação e a necessidade de ordem pública nas fronteiras.”
Não houve cidadão lúcido que não percebesse a necessidade imperiosa do Governo espanhol agir, de imediato, para impedir esta entrada em massa de imigrantes ilegais. Se há momentos em que a razão tem de sobrepor ao coração, este era, indubitavelmente, um deles. E é nestas alturas que se percebe quem é quem.
A primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, avisou de imediato que iria promover a suspensão espanhola do Espaço Schengen.
Ora Ben-Gvir, o israelita idiota e ultranacionalista (com perdão pelo pleonasmo) decidiu escrever nas redes sociais:
“As minhas felicitações ao presidente do Governo de Espanha, Pedro Sanchez, pelo seu profundo compromisso com o acolhimento da imigração e com a diversidade humana. Como alguém que demonstra uma grande preocupação com o Hamas e com os habitantes de Gaza, apelo-lhe para que transforme as palavras em atos: abra as portas de Espanha e conceda refúgio aos habitantes de Gaza que pretendam emigrar.”
E terminou dizendo que considerava que tal poderia ser “uma excelente oportunidade para contribuir um pouco mais para a diversidade humana de Espanha”.
Tivesse um pouco de vergonha, ou escrúpulos, e ter-se-ia lembrado que, na realidade, houve recentemente, noutras regiões do nosso pobre mundo, o direito, quase a obrigação, de governantes agirem como Pedro Sanchez só não o podendo fazer com êxito por falta de meios e apoios. Por exemplo, em Gaza, os governantes da Palestina não conseguiram expulsar aqueles que invadiram os seus territórios. Deveriam ter tido todo o apoio na luta contra quem lhes entrou pelas casas não para pedir trabalho e uma oportunidade para melhorarem as suas vidas, mas para destruírem, indiscriminadamente, as cidades.
Com base na necessidade, compreensível, de prenderem um grupo de terroristas, provocaram um genocídio inqualificável, assassinarem centenas de milhares de cidadãos, bombardearem escolas e hospitais matando crianças, médicos e doentes, assassinaram centenas de jornalistas unicamente para que os crimes não fossem denunciados.
Esses criminosos é que deveriam ser abrangidos pela proibição de entrada no Espaço Schengen. Por uma questão de higiene. Itamar Ben-Gvir é um desses miseráveis.


