A BANDEIRA E O SILÊNCIO

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Cada um tem o direito de escolher as suas causas. Mas quem escolhe o silêncio também faz uma escolha. E quando esse silêncio vem de quem tem centenas de milhões de seguidores nas redes sociais, deixa de ser apenas uma opção pessoal: transforma-se numa posição com inevitável significado político.

Foi um jovem de 19 anos quem decidiu lembrar ao mundo que o futebol também pode ter consciência. Fê-lo erguendo a bandeira da Palestina e usando um keffiyeh, não para dividir, mas para chamar a atenção para um povo massacrado, há décadas sujeito a bombardeamentos, fome, deslocações forçadas, destruição, genocídio.

Erguer a bandeira da Palestina não é apenas erguer uma bandeira. É um gesto de humanidade. Não se pode negar que, perante uma das maiores tragédias humanitárias do nosso tempo, a neutralidade não é neutra e o silêncio é cúmplice.

O futebol nunca andou longe da política ao contrário do que alguns dizem. Os campeonatos do mundo servem para projetar países, líderes, marcas e interesses. Às vezes também servem para lembrar que ainda existem jogadores dispostos a usar a visibilidade para algo mais do que vender botas ou bebidas energéticas.

Lamine Yamal fê-lo. Cristiano Ronaldo não. Yamal celebrou com a bandeira da Palestina no mesmo espaço onde se encontrava Donald Trump, um dos mais firmes aliados da política israelita. Há pouco tempo, Cristiano Ronaldo confessou a sua grande admiração pelo Presidente dos EUA. Há um abismo entre eles.

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