AS FOTOGRAFIAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA

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Donald Trump foi condenado por um tribunal norte-americano a indemnizar Jean Carroll em cerca de cinco milhões de dólares por abuso sexual e difamação. Não se trata de um rumor das redes sociais nem de uma acusação política. Trata-se de uma decisão judicial.

Esse facto não prova que Trump tenha cometido outros abusos. Mas transporta a certeza de que qualquer suspeita nesta matéria não deve ser afastada.

É por isso que continuam a suscitar inquietação as fotografias antigas em que Trump surge ao lado de Jeffrey Epstein rodeado por jovens cuja aparência é marcadamente juvenil. Essas imagens circulam há anos, foram reproduzidas milhares de vezes e acabaram por perder, em muitos casos, a sua origem documental.

Legalmente, uma fotografia não demonstra um crime. Mesmo que seja autêntica, prova apenas que determinadas pessoas estiveram juntas num determinado lugar e num determinado momento. Para sustentar uma acusação seriam necessários outros elementos: a identificação das pessoas retratadas, a confirmação da idade que tinham, testemunhos, documentos ou outros meios de prova.

Mas também seria intelectualmente desonesto fingir que essas fotografias nada significam. Constituem, no mínimo, um motivo legítimo para fazer perguntas. Quem eram aquelas jovens? Que idade tinham? Quem tirou as fotografias? Em que circunstâncias? Porque nunca foram plenamente contextualizadas?

publicado em AS FARRAS DE TRUMP

Não sabemos responder a essas perguntas. Também não sabemos, apenas olhando para as imagens, se aquelas jovens eram menores de idade. Sabemos apenas aquilo que qualquer pessoa vê: parecem crianças.

E enquanto ninguém responder às perguntas essenciais, continuará a existir uma diferença entre aquilo que um tribunal pode dar como provado e aquilo que a opinião pública considera profundamente perturbador.

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