BOMBEIROS

De e capa rija, bem encorpado papel cuchê de prestígio, o catálogo bilingue da exposição Soldados da Paz – História(s) de Bombeiros do Concelho de Cascais constitui, nas suas 194 páginas, precioso documento histórico. Não porque ali se faça – ou se pretenda fazer – a história das diferentes corporações do concelho de Cascais, mas porque as histórias nele expressivamente documentadas através de imagens relembram, com eficácia plena, um passado que importa ter presente. Incêndios, naufrágios, cheias, tempestades… – são palavras que, de imediato, evocam a necessária presença do bombeiro.

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Pronto-socorro urbano dos Bombeiros do Estoril, 1925

Não deixa de ser curioso apercebermo-nos do significado literal da palavra «bombeiro»: o que perfeitamente sabe manusear a bomba. Fala-se não das mortíferas bombas atuais, mas do mecanismo mediante o qual era possível lançar jactos de água para fazer calar as chamas.

No tempo da Roma antiga, o nome era outro: vigiles, vigilantes. Tinha grande autoridade o seu comandante, o praefectus vigilum, que era da ordem equestre (para enfrentar, se fosse caso disso, o comandante dos pretorianos, que era da ordem senatorial…). O quartel-general dos vigiles estava estrategicamente colocado em Óstia, o porto fluvial de Roma. Além do serviço de incêndios, os vigiles cuidavam da higiene pública urbana.

Voltando a Cascais e ao catálogo, importa referir que a exposição, inaugurada a 8 de novembro de 2025, estará patente na Casa Sommer, em Cascais, até 11 de outubro.

Exposição que assume, na verdade, um duplo significado: por um lado, ao apresentar a evolução das viaturas usadas ao longo dos tempos e os objetos manuseáveis no combate ao fogo e no pronto auxílio em caso de acidente ou catástrofe (capacetes, malas de primeiros-socorros, apitos, extintores, o braçal do chefe de piquete, a escada de molas…) é útil manancial para a História da Tecnologia; por outro – e não de somenos importância – é que, além das máquinas e dos apetrechos, ali se mostram pessoas, os abnegados homens e mulheres que, ao longo dos tempos, se disponibilizaram para estar ao serviço da comunidade.

Capacete dos Bombeiros dos Estoris
Avião despenhado na Serra de Sintra, 1947.
Boia do Seastar, naufragado em Cascais, 1972.

Não há nomes. A excepção quase única: a justa homenagem a Ana Rita Abreu Pereira e a Bernardo Figueiredo, da corporação dos Estoris, atraiçoados por repentino golpe de vento que os vitimou, a 22 de Agosto de 2013. Ah! E a fotografia de José Geraldes Neto, cuja extraordinária colecção de miniaturas ligadas aos bombeiros não tem igual e bastantes delas estão agora de novo ali a ser mostradas. Eloquente tal omissão de nomes, porque o importante é mesmo servir e o nome não interessa.

Exposição que representa, pois, enorme reconhecimento aos Soldados da Paz –  expressão que, nos tempos que correm, se reveste, afinal, de um significado maior.

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