PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU

O RASTO QUE O ESCRITOR DEIXOU NA CIDADE

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Ninguém, ninguém mais do que Aquilino Ribeiro celebrou em páginas de livro esta cidade. Viseu. Ninguém. Nem escritor nem poeta. De historiadores e cronistas não falo, que aí é vasto o trajecto, memoráveis os nomes, extenso o discurso.

Aquilino Ribeiro conheceu Viseu era jovem ainda e estudante encartado, já havia peregrinado com alguma demora por Lamego, dormente a cidade, lhe chamou enquanto Viseu a vai sentir prazenteira, amável, buliçosa, jucunda. Jucunda, escreveu ele. Agradável, queria ele dizer. “A melhor cidade para viver”, talvez quisesse dizer, premonitório.

Que viver aqui não viveu. Para além da pouca demora, em 1902, quando vem ao Liceu fazer exame de Filosofia, apenas tem uma curta pausa em 1928, mas aí vive entre as grades do Fontelo e da janela do calabouço pouco mais podia ver do que o longínquo horizonte da sua pátria, as Terras do Demo, para onde em breve irá romper caminho.

Aquilino foi aedo, celebrou a terra, o chão de lavra, marginal, o chão de pedra levantada, a paisagem, gratuitamente estendida para gozo dos homens como a primavera em flor para deleite de insectos; e lembrou os homens, humanista de seu génio, que da humanidade transviada apenas queria arredar o mal.

E o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu, no nome de um Parque, de uma Rua, de uma estátua. Mais fundo ficou nas letras de ouro do seu lavrar; mais ainda no coração dos homens que cultivam o humanismo de que se fez paladino e defensor; retrato seu de vaidade não deixou; e o bronze de um retrato que eu ajudei a construir e se implantou no chão da Rua Formosa, onde ele tantas vezes sedeou, ficou como vero documento de um homem inteiro, que algum tempo entre nós viveu e trabalhou.

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