LUTA SEM TRÉGUAS

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Luís Montenegro percebeu que Passos Coelho quer recuperar o lugar para o qual entende ser a ‘última coca-cola do deserto’, o ‘D. Sebastião’ e, depois de um primeiro ataque com os seus ‘proxis’ – já agora um deles foi copiosamente derrotado nas eleições internas do PSD -. decidiu lançar um ataque, na perspectiva dele, mortal, que o deixará sossegado por mais dois anos, remetendo Passos Coelho para o silêncio. Antecipação das eleições directas no PSD para Maio – pois sabe que quanto mais tempo passar, maior pode ser o trambolhão – e um desafio a Passo Coelho que se candidate, ‘se tens coragem avança’, ao estilo do O Comboio Apitou sempre cinco vezes, um clássico do western, protagonizado por Gary Cooper.

Passos Coelho, que pensa ser um génio da política, o escolhido, desvalorizou as presidenciais, embalado no mantra de muitos comentadores que garantiam que o próximo Presidente da República só cumpriria um mandato. Mas, com a eleição de António José Seguro, percebeu que este tem condições para fazer dois mandatos e, daqui a dez anos, é tarde para uma candidatura presidencial, na eventualidade de falhar o assalto ao cargo de primeiro-ministro.

Neste novo quadro, decidiu passar ao ataque e afastar do caminho o seu ex-líder da bancada parlamentar, sem dó, nem piedade. Passos Coelho é um homem desprovido de sentimentos, frio, racional, que tem como único objectivo alcançar o poder para o exercer como ele pensa que deve ser exercido. Sentiu que Montenegro estava frágil e atacou. Acossado, Luís Montenegro reagiu, pois acredita que os amigos que o ajudaram a manter-se no poder irão continuar a ajudar e a afastar as pedras do caminho. Partiu para o ataque. Antecipação das eleições directas e Congresso em Maio de 2026, encurtando o tempo para uma movimentação de Passos Coelho, embora sabendo que este poderia juntar os apoios a uma candidatura, mas, neste momento, a maioria dos militantes do PSD não iria arriscar, a não ser que algo de grave acontecesse até essa data. Falhados os ‘idos de Março’, Passos Coelho, sem a ajuda das televisões, vai ficar a falar sozinho e a corroer o PSD, tecendo a teia que ele acredita que o leva ao poder. O ex-primeiro-ministro não irá desistir, quer afastar Luís Montenegro e implementar as reformas que serão o alfa e o ómega do nosso futuro colectivo. Não quer saber se os eleitores o querem ou o rejeitam, quer voltar a liderar o executivo.

Para já, estou convencido que não irá disputar as eleições internas e vai esperar que o poder lhe caia no colo. Resta saber se, quando isso acontecer, a vingança que preparou para Luís Montenegro ainda o irá favorecer, ou se, dentro do PSD, já começam movimentos para uma alternativa. Ou mesmo, se, quando acontecer, a maioria que se formou com a eleição de António José Seguro, cria uma nova maioria.

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