Com base num estudo do Professor Henrique Brito do Rio, elaborado para o Fórum para a Competitividade em 2004, verificamos que a produtividade na economia informal é mais elevada do que na oficial e o fenómeno tem vindo a crescer, ao longo dos anos, em Portugal e no resto do mundo.
Este dado é bastante relevante quando se sabe que a grande maioria das micro e pequenas empresas portuguesas declaram, sistematicamente, prejuízos ou lucros reduzidos, sem que se entenda como conseguem sobreviver.
A par destas empresas que sobrevivem milagrosamente, o fenómeno da economia informal é essencial para nos apercebermos da dimensão dos valores que andam fora do sistema fiscal e da economia, causando graves distorções, quer nas finanças públicas, quer na compreensão da realidade portuguesa.
Portugal é o País, na Europa, em que existe a maior percentagem de famílias com segunda casa, ou casa de férias, apesar de, simultaneamente, ser um dos países da Europa com o rendimento per capita mais baixo e com uma forte crise habitacional (a qual, de resto, se verifica em toda a Europa).
Estes três factores: economia informal, empresas que declaram prejuízos há vários anos, consecutivamente, e o maior índice de famílias com segunda casa na Europa serão compagináveis com o facto de, estatisticamente, estarmos na cauda da Europa no rendimento per capita? Certamente que não, sem esquecer que temos, lamentavelmente, cerca de dois milhões de cidadãos em estado de pobreza. Como explicar esta realidade? Que País é este, na verdade? Os preços da habitação, em Lisboa e Porto já se encontram mais elevados do que em muitas cidades do resto da Europa. Porém, verificou-se um aumento de vendas de imóveis, no último ano, muitos deles adquiridos com recurso ao crédito jovem – com isenção de IMT e com garantias dadas pelo Estado, ou seja, pelos contribuintes, o que distorce, ainda mais, a realidade da nossa sociedade.
Não há ‘almoços grátis’, e o milagre da multiplicação dos pães não se repete, sem mais nem menos.



