A escolhida para dar a cara pela diplomacia da União Europeia parece uma avençada do Governo de Israel. Nunca ouvimos a senhora a defender alguma coisa que contrariasse a política genocida colonialista de Netanyahu. Mas, agora, teve a oportunidade de mostrar serviço, a propósito das perturbadoras imagens de dois reféns israelitas, em vídeos produzidos pela propaganda do Hamas.
As imagens são, de facto, perturbadoras. Mostram sofrimento, medo, deterioração física. A Chefe da Diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reagiu com prontidão nas redes sociais: “As imagens dos reféns israelitas são aterradoras e demonstram a barbárie do Hamas. Todos os reféns devem ser libertados imediata e incondicionalmente.”

O primeiro-ministro israelita não teria dito melhor. Benjamin Netanyahu, aliás, expressou “profunda consternação” com os mesmos vídeos. Ou seja, os vídeos obtiveram o efeito desejado, precisamente no momento em que Telavive tenta negar que haja fome em Gaza.
Do lado de lá, o Hamas responde: os prisioneiros “comem o que nós comemos”. O que quer dizer — para quem quiser ouvir — que todos, prisioneiros e combatentes, passam fome.
E nós, que lemos estas declarações, que assistimos às imagens da destruição e da agonia em Gaza, não conseguimos deixar de ver aí a barbárie do governo israelita. Em Gaza, não há dia sem uma centena de mortos vítimas dos bombardeamentos ou dos snipers israelitas. As imagens que chegam de Gaza mostram-nos mortos estropiados, banhados em poças de sangue. Crianças esventradas, decepadas. Multidões de esqueléticos a morrer de fome.





O que esperaríamos de alguém escolhido para representar a Europa — essa Europa dos valores, dos direitos humanos, da diplomacia e da proporcionalidade — não era que se limitasse a repetir ou a antecipar as palavras de Netanyahu, mas que exigisse um cessar-fogo imediato e incondicional, por respeito às vidas de todos: reféns, civis palestinianos, crianças, idosos, combatentes — de um lado e do outro.



